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De Sedentário a Maratonista

A motivação também se treina!

10.Jan.12

Hellraiser? Não, acupunctura para a canelite

"O que lhe dá prazer, senhor?" Assim começa Hellraiser, um filme de culto (e de terror) de 1987, onde são explorados os temas do sadomasoquismo, da dor como fonte de prazer, moralidade sob stress e medo. Mas relaxem, porque este artigo não vai falar sobre dor, nem sadomasoquismo, nem nada disso... (e neste momento as estatísticas de leitura deste post baixaram para metade).   O desafio Como diriam os Monthy Python há umas décadas atrás, este fim de semana experimentei algo completamente diferente: Acupunctura. Tudo porque em conversa de amigos, queixava-me das "tais" dores nas canelas tão comuns entre os corredores: a periostite,  inflamação mais vulgarmente conhecida por "canelite". Eis quando senão alguém indica que esse problema pode ser trabalhado, senão mesmo resolvido, com acupunctura (principalmente quando em combinação com outras coisas mais, como abrandar o treino em excesso e aplicar descanso às pernas, a melhor "pomada" que conheço). Como eu gosto de dar o benefício da dúvida, experimentei!   O que é a Acupunctura?Meridianos_chineses A Acupunctura é um ramo da Medicina Tradicional Chinesa e um método de tratamento considerado complementar, de acordo com a nova terminologia da OMS - Organização Mundial da Saúde. Consiste na aplicação de agulhas em pontos definidos do corpo, chamados de "Pontos de Acupuntura" ou "Acupontos", ou seja, um método de estimulação neurológica em receptores específicos, com efeitos de modulação da atividade neurológica. Muitos dos pontos de Acupuntura correspondem a locais de penetração das fibras nervosas na fáscia muscular, sendo que alguns pontos correspondem aos "pontos-gatilho", que são pontos localizados na musculatura, sensíveis ao toque e que condicionam o surgimento de sintomas à distância, como, por exemplo, dores de cabeça. A tradução causa a impressão de que o terapeuta só trabalha com agulhas, mas os pontos e meridianos também podem ser estimulados por outros tipos de técnicas. Na verdade, os pontos de Acupuntura podem ser estimulados por agulhas, dedos (acupressão) caracterizando distintas variantes da técnica de massagem chinesa (tui na, shiatsu, etc), entre outras técnicas. Além das referidas técnicas de estimulação acima descritas, pode ser também incluída a acupunctura com eletroestimulação, ou eletroacupuntura, explorada com diversas perspectivas teórico - clínicas.   Como tudo se passou e os resultados imediatos Acupunctura-nas-minhas-pernasDepois do preenchimento de um questionário para melhor se ficar a conhecer este paciente, a sessão não demorou mais do que 30/45 minutos, sendo parte do tempo para a colocação das agulhas e o resto para relaxamento e actuação das agulhas nos pontos. É importante que o paciente esteja totalmente tranquilo e se coloque nas mãos do especialista e que, no caso de sentir algum desconforto, avise sem qualquer tipo de problema. Um bom terapeuta só irá procurar que a sessão decorra com o máximo de conforto para o seu cliente... mesmo que este esteja deitado sobre agulhas. Sim, deitado sobre agulhas espetadas nas costas. Parece estranho não parece? Mas não foi, garanto. E os resultados? Imediatamente após sair da sessão, não sentia mais as incómodas dores locais no lado de dentro da tíbia. Não conseguia sequer identificar o local exacto por apalpação, ao contrário do que anteriormente à sessão acontecia. Já no dia seguinte, apesar de ter novamente a sensação do local da dor, não só a mesma não apareceu como às vezes aparecia em certas sessões de treino (aguda, incómoda e em crescendo nos primeiros 10km), como fiz os 32km em Monsanto sem qualquer tipo de incómodo (tirando claro o cansaço habitual que é correr durante cerca de 3h00). Hoje é 3ª feira e não estou com o mínimo "desprazer" quando corro... portanto até agora só boas notícias!   Concluindo Portanto... se recomendo? É como em tudo na vida: experimentem, dêem o benefício da dúvida. Eu vou fazer mais 3 sessões (1 por semana), sendo que no final do mês já poderei falar melhor sobre os resultados a médio prazo. O pior que vos pode acontecer é não resultar em nada. E aos mais cépticos, esqueçam a dor, não acontece. Ao contrário do Hellraiser, o que se trabalha aqui é a cura através de medicinas alternativas e técnicas milenares, pelo que o prazer do paciente é a gratificação do especialista. Qualquer dúvida ou questão que tenham, enviem um email ou deixem um comentário mais abaixo a este post.   Fonte: Wikipédia; IMBD
06.Jan.12

A Mente supera a Montanha: 5 dicas mentais para escalar melhor

Ao contrário de outros aspectos na corrida, bem como noutros tipos de desporto, normalmente considera-se que o sucesso de se conseguir correr com facilidade por uma encosta acima depende quase na totalidade do nosso estado físico e capacidades naturais para tal. No entanto, há muito mais a apontar. No decorrer do último ano, ao longo de todos os treinos, de todas as provas e de todas as conversas tidas com outros atletas e amigos, percebi que há alguns truques e técnicas, não só físicas, mas mentais, que me têm permitido superar a mim próprio... e ocasionalmente um ou outro corredor mais forte (ver relato sobre o Ultra Trail Amigos da Montanha). Ao fim e ao cabo, à medida que se evolui, a estratégia torna-se exponencialmente mais importante. Experimente praticar as seguintes tácticas mentais para conquistar o seu próximo desafio numa corrida vertical: 1. Eu sou forte e gosto de escalar! Para alguns corredores, uma escalada pode-se perder ou ganhar logo no momento em que se avista a encosta. Aflige-me quando ouço alguém dizer "não sou um bom escalador" ou até "eu sou mais de estrada e de velocidade". A não ser que o seu objectivo esteja mesmo definido neste sentido e que se encontre num nível em que só trabalhe para isso, não há nenhuma razão para se limitar a si próprio com afirmações como estas. O corredor que pensa para si próprio que não sabe escalar, dificilmente fará uma boa escalada, não importa o quanto treine. Mentalmente, derrotam-se a si próprios mesmo antes de chegar ao início da subida. Estes pensamentos negativos estão integrados profundamente no subconsciente, mas com algum trabalho podem ser ultrapassados. Da próxima vez que um destes pensamentos negativos lhe vier à cabeça, não importa em que situação, escreva-o onde puder e logo depois escreva um pensamento positivo que directamente contraponha o negativo. Por exemplo, se der por si a pensar "detesto escalar e canso-me imenso ao fazê-lo", poderá querer escrever "sou um corredor forte e adoro escalar!". Repare que o pensamento final é 100% positivo. A utilização da palavra "adoro" na sua frase, demonstra amor à sua causa e está provado que potencia o poder desta forma de afirmações. De tempos a tempos, durante a sua corrida, repita esta afirmação para si próprio. Se quiser diga-a em voz alta e com convicção. Pense no seu cérebro como se tivesse um músculo de memória que, tal como os músculos das suas pernas, também pudesse ser trabalhado com treino e repetição. Se praticar isto consistentemente ficará surpreendido com os resultados. 2. Relaxe Os pensamentos negativos podem causar uma reacção física. Os corredores que se enervam quando o percurso se torna mais vertical, tendem a ficar mais tensos. Gastam energia ao tensionar os ombros, braços e costas. Perdem o ritmo da respiração e alguns, insconscientemente, até chegam a prender a respiração. Outra consequência desta reacção física é uma quebra da eficiência da corrida. A passada torna-se incerta e, como resultado, o ritmo cardíaco aumenta muito mais rapidamente que um corredor que se mantenha relaxado e concentrado. Experimente estes dois truques: à noite, quando estiver deitado e relaxado, feche os olhos e respire profundamente. Imagine-se num desafio, numa corrida com uma grande subida. Visualize-se a si próprio sentindo-se relaxado e a correr suavemente. Lembre-se das emoções que sentiu numa ocasião em que a corrida lhe tenha corrido muito bem, em que se sentiu muito confiante e que o resultado final foi o melhor. Traduza essa sensação para o cenário da subida. Veja-se a si próprio a correr encosta acima sem esforço e a chegar ao topo num bom ritmo, com um bom tempo e sem um grande esforço. Faça isto todas as noites sempre que for dormir. Torne a sua visualização tão realista quanto for possível: inclua os sons, as vistas, os aromas e as sensações. Se possível, imagine uma subida em particular que você queira mesmo conquistar. Se você se castiga semana após semana nos treinos, porque não adicionar uns minutos de treino diário como este, onde não será necessário sequer transpirar? 3. Aceite a dor Esta parte pode parecer um pouco óbvia, mas prepare-se para sofrer. Isto não significa sofrer de forma normal, mas sim prepare-se para levar os seus limites para lá do ponto da dor física. Muito frequentemente, durante uma corrida você depara-se com um momento crítico, um momento chave no percurso. Como você reaje perante esse momento irá definir o seu perfil. Dependendo da situação - claro! - não se chateie com conservar energia ou com consultar o seu relógio ou o monitor cardíaco. O ritmo cardíaco e a potência que aplica numa situação de competição vão ser muito superiores a qualquer situação por que você possa ter passado em treino. Em muitas situações, mesmo que abrande um pouco numa subida difícil, o seu dia estará feito, portanto para que é que você está a guardar essa energia mesmo? Se você está a sofrer, há sempre uma boa possibilidade de toda a gente estar a sofrer também. Guardar-se para aqueles segundos finais pode ser, de facto, a diferença entre um colapso ou um recorde pessoal. Bem, se de facto você chegar ao fim e cair para o lado, pelo menos você tem a certeza que deu tudo de si! 4. Não olhe para cima Quando você olha para cima para ver o topo, tem uma perspectiva meio distorcida de quão íngreme é a subida. Em vez disso, experimente olhar para o chão mesmo à sua frente. Deste ângulo, o seu cérebro irá processar a informação como se você estivesse a correr num plano horizontal. E isso não é assim tão mau quanto isso, pois não? 5. Sorria Muito frequentemente, dou por mim a correr com uma expressão exagerada de dor, como se quisesse expressar o meu sofrimento para os outros. Em vez disso, experimente trocar por um sorriso. O cérebro associa o sorriso a prazer e felicidade. Sorrir enquanto se corre por uma encosta acima pode facilmente enganar o seu cérebro e fazê-lo pensar que afinal você não está assim a sofrer tanto como pensava. Fonte: Active.com
05.Jan.12

Algumas ideias sobre treinadores pessoais

Apesar do nome "treinador pessoal" se parecer muito com o termo inglês bem conhecido "personal trainer", os treinadores a que aqui me refiro não são os de ginásio, mas sim, essencialmente, treinadores de corrida (e quem diz  corrida, diz de estrada, corta-mato, trail running, ou até mesmo ciclismo e natação, aqui claramente a atirar para o triatlo). Os objectivos, sempre os objectivos De vez em quando recebo um email ou vejo posts no Facebook ou aqui no site, de pessoas que vêem os treinos que faço ou as corridas em que participo e me dizem como gostavam também de fazer uma meia-maratona, ou que têm o sonho de participar numa maratona, mas que ou não sabem como treinar, ou não têm vontade, ou simplesmente não sabem como começar. Obviamente tenho sempre todo o gosto em ajudar quem quer que seja a dar os primeiros passos na busca de uma vida mais saudável, a iniciar algum tipo de actividade física ou a chegar a um plano de treino que seja adequado aos seus objectivos. Enquanto posso dar a Motivação que sei dar, não tenho no entanto nenhum tipo de formação em educação física, nem sou treinador oficial. Simplesmente falo da minha experiência e partilho o que sei e, o que para uns podem ser bons conselhos, para outros podem não ser suficientes. Ora, nestes casos e, creio eu, em quase todos os casos de quem quer fazer algo a sério (como quem está a começar uma temporada de corridas, ou quem pretende melhorar o tempo numa distância, ou participar naquela prova especial, etc), a melhor opção é mesmo escolher um treinador, alguém experiente e que saiba como o fazer chegar onde pretende. Em Portugal não temos propriamente nenhuma base de dados de treinadores que se possa simplesmente escolher um que nos agrade, pela sua experiência no curriculum ou pelos atletas que treina. Pelo menos penso que não temos tal coisa (talvez aqui exista um nicho de mercado a explorar, não?), ao contrário do que acontece em países como... ok, como nos EUA. Contudo, mesmo com uma tamanha listagem ao nosso dispor, continuo a preferir comprar algum serviço, com base na confiança transmitida pelo contacto com o prestador do serviço, mas também (e principalmente) pelo feedback que possa conseguir obter de quem já usufrui do mesmo. No caso dos treinadores, torna-se assim para mim confiar em testemunhos de outros atletas que se sentem satisfeitos. O porquê deste post A razão de escrever este post é porque estou em vias de escolher um treinador para os próximos meses, isto porque me sinto um pouco estagnado, mas com capacidades físicas ainda por explorar. E se o RunKeeper ou outros softwares já não me servem totalmente (nenhum tem um plano de treino, por exemplo, para ultra-maratonas ou para ganhar força para o trail running), estou certo que estou prestes a acordar com um treinador experiente um plano para os próximos meses. Concluindo...
  • Os treinadores podem ser sempre úteis para todos os níveis de preparação física e objectivos, mas em particular se estiver a iniciar-se ou com a intenção de desenvolver os seus limites actuais.
  • O "passa-a-palavra" é muito mais importante do que o curriculum de um treinador, porque é através de quem já experimentou na prática (e em quem confiamos) que sabemos se, de facto, estamos perante um bom serviço ou não. Vejam o caso das redes sociais e como elas nos influenciam dia-a-dia, com as opiniões e os "Likes" dos nossos amigos.
  • Reúna-se com o seu treinador (ou pré-treinador) e conversem sobre os seus objectivos, os outros atletas, horários de treinos e onde se poderá encaixar melhor.
  • Troque informação com o seu treinador sempre que lhe apetecer e de forma aleatória. Veja com que rapidez lhe responde, o que responde e avalie assim não só se estão disponíveis como se se preocupam de facto consigo. Saiba claramente se lhe pode ligar às 07h00 da manhã a dizer "a piscina está fechada hoje, o que é que posso fazer para substituir este treino?"... deverá poder fazê-lo.
  • Não tenha receio de o deixar se não gostar do serviço. Dê alguma tolerância (1 ou 2 semanas) mas não muita, porque é o seu tempo e o seu treino que sai mais prejudicado.
  • O mais caro não é necessariamente o melhor.
  • Por ter sido profissional em algum desporto, também não significa que seja o melhor treinador. Alguns dos melhores treinadores nem são grandes referências no desporto, mas entendem perfeitamente como se comporta a "máquina humana" e são óptimos a retirar dela todo o seu potencial.
  • A ligação via internet pode funcionar muito bem. Apesar da presença física ser muito importante, o acompanhamento online pode ser valioso, tanto para o treinador acompanhar o rendimento do atleta (e dar-lhe feedback baseado em dados realistas), como para o atleta ter um "ponto de encontro" com o treinador, mesmo que virtual. Mas decida se isto é realmente importante para si.
  • Pesquise na internet, em forums ou blogs. Normalmente ao ler artigos de treinadores ou atletas treinados por eles, consegue-se retirar informação preciosa para a nossa tomada de decisão.
Resumindo, se fizer parte dos seus planos, procure um treinador. Faça umas quantas pesquisas na internet, mas tente falar com uns amigos ou com outros atletas, ou mesmo nos clubes. Isto porque é sempre mais fácil alguém fazer um comentário mau  numa conversa privada do que num forum público na internet. E se precisar de ajuda, deixe aqui um comentário mais abaixo, pode ser que eu tenha algumas recomendações que lhe sejam úteis!

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