Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

De Sedentário a Maratonista

A motivação também se treina!

Qui | 14.03.13

Correr com Batom

José Guimarães
 

Batom ou bâtons?

Sim, leram bem. Eu escrevi batom. Não escrevi "bâtons" (à la française) ou bastões (à la portugaise)!... Gostam do vermelho forte do batom "Moulin Rouge"? Então podem continuar a ler. Caso não tenham qualquer gosto particular pela cor ou produto, convido-os a desistir. Ou eventualmente ficar mais um pouco. Quem sabe estas palavras vos possam vir a ser úteis. De toda a forma, este texto tem um foco muito particular. Miúdas. E graúdas também. Por isso, escreverei para elas. Ainda estão aí? Eu sabia que os homens iriam ficar. Ainda assim, continuarei a escrever para elas.

A primavera a chegar... e a seguir... O verão!

Eventualmente ainda não se terão dado conta, mas os dois primeiros meses do ano já passaram. O tempo voa efetivamente e, não tarda, estarão a acordar de manhã cedo, desejando colocar os pezinhos descalços na areia quente. E, quando esse dia chegar… Já sabemos. Vão protestar com o espelho e com o bikini do ano passado, que terá tido a ousadia de encolher durante o outono e inverno, enquanto repousava candidamente na gaveta do roupeiro. Fiquem atentas porque vão querer saber mais sobre o que a Sofia Novais de Paula e o José Guimarães prepararam, pensando nesse dia e no vosso bikini. Correr pode ser tão divertido quanto delinear cuidadosamente o batom. Não sei se correr com bastões é divertido – nunca experimentei -, mas correr, com ou sem batom, vos garanto, é das melhores coisas que nos podemos oferecer a nós próprias. De resto, atrevo-me a dizer que é muito mais fácil correr do que não esborratar o batom no processo de maquilhagem matinal. Já não sou miúda, é certo, mas às vezes gosto de pensar que sim. Talvez a corrida me tenha tornado mais nova. Diz-se por aí que a corrida acelera o metabolismo. Por ser uma atividade de alto impacto, envelhece mais rapidamente quem corre. Teorias há muitas. Seja como for, prefiro chegar mais depressa a velhinha, mas sentindo-me bem, do que o contrário.

O tempo, "ai e tal", não tenho tempo...

Sou mãe de duas crianças pequenas. Por isso não se atrevam a dizer “ai e tal, não tenho tempo”. Trabalho a tempo inteiro. Mais uma vez vos digo. Ter trabalho (e remunerado) é coisa de gente com sorte, por isso nada de desculpas. Comecei a correr há cerca de 2 anos. Não tinha relógio nem marcas no piso, mas devo ter corrido cerca de 4 km. Não foi divertido. A sério. Não teve qualquer graça. Ainda assim, não parei. Dois dias depois repeti a dose. E outros dois dias depois. E assim sucessivamente. Entretanto já lá vão cerca de 800 dias. Não andarei longe da verdade se vos disser que, em 500 deles, calcei os ténis e fui correr. Por aqui, por ali, por onde calhou. Adquiri um relógio ”xpto” um ano depois de ter começado a correr. Ainda não completou 365 dias de vida e diz-me que já queimei 61.118 kcal nas minhas corridas. Ora se não tivesse corrido, onde as teria guardado? Pensem nisso. As calorias não são aqueles “bichinhos que dormem nos nossos armários e, durante a noite, encolhem as nossas roupas”. A caloria é uma unidade de medida de energia. Logo, caloria é energia. Não sou muito dada a química e física, mas é fácil concluir que não nos fará bem acumular tanta energia. Há que a queimar. O corpo e a mente irão decerto agradecer. Queimem-na como quiserem. Eu sugiro que o façam correndo. Em média, numa corrida leve de 8 km – nada de pressas – queimamos 400 kcal. Ora agora sim – serão menos 400 bichinhos a povoar e a conviver no nosso organismo, roubando o espaço que tantas outras coisas boas merecem.

Anda tudo louco ou isto da corrida é mesmo bom?!

Estéticas e calorias à parte, já se interrogaram porque anda meio mundo a correr desvairadamente pelas ruas desta cidade? As mensalidades dos ginásios não encaixam no orçamento, é certo, mas… Será só isso? E… Já ouviram porventura algum desses desvairados dizer que começou a correr mas depois desistiu? A corrida liberta muito mais do que gotinhas de suor, acreditem. Se não constava da vossa lista de resoluções para 2013, vão seguramente querer fazer um upgrade. Fiquem atentas. Está na hora. Vão começar a correr. Para terminar, reproduzo algumas palavras que encontrei num excelente artigo sobre corrida do jornal “O Expresso”, publicado em setembro de 2012. Está tudo lá. Na altura, a poucas semanas de partir em busca dos meus primeiros 42.195 metros, sublinhei todos os testemunhos que me tocaram. De mães, de pais, de profissionais. Gente comum, gente da ribalta. Mas tudo gente que corre. "É uma espécie de higiene pessoal, uma disciplina de que não abdicam, e que encaixam acrobaticamente em horários blindados". "Não posso negar que sou viciado na corrida". "Viajar para correr passou a ser um ritual". "Preciso é de música de carrinhos de choque". "E é mais barato do que ir ao psicólogo ou comprar sapatos". "Como uma praia em Porto Santo, sem uma única pegada antes de eu passar". "Aquilo que outros encontram na meditação ou na fé, eu encontrei na corrida". "Sempre corri sozinho. Para mim é um ato intimista. Completo-me desta maneira". "Quando corro sozinha resolvo imensos problemas". "O meu marido não me acompanha, mas respeita a minha necessidade de correr. Ele acha que para percorrer 42 km existem os carros". "Dá para ter uma progressão muito rápida, e isso é motivador. Isto entranha-se". Acreditem. Nós, os que corremos, não somos uns desvairados. Somos uns afortunados porque já descobrimos o quanto a corrida nos faz bem.

Toma nota: começas a correr já no próximo domingo!

Prontas para começar? O tiro de partida para a vossa admirável nova vida é já no dia 17 de março (nada de planos a longo prazo - começa já!), com partida na ACADEMIA em Santos, pelas 9h00, na companhia da Sofia e do José!    
Qua | 13.03.13

Correr na Rua Sésamo

José Guimarães
  Caros atletas… Vamos correr! Hoje sou eu quem decide o percurso. Correremos na Rua Sésamo. A corrida inicia-se na letra “A” e desenvolve-se ao longo de 23 letras. Confesso que nesta fase ainda não sei como vai ser a meta: a letra “Z”. Mas lá chegaremos. Se quiserem auto-proclamar-se de joggers, corredores, atletas ou coisa do género, vão querer estar por dentro destes assuntos. Tiro de partida! [accordion] [acc_item title="A: Alongar"]Prática imprescindível se quiseres evitar lesões... E correr mais rápido! Não descures o “estica-e-puxa” na corrida. Os teus músculos ganharão elasticidade com os alongamentos e tu ganharás flexibilidade. Se alongares regularmente, ampliarás a passada e conseguirás cruzar a meta com menos esforço. Quanto às lesões, embora existam opiniões divergentes, há quem diga que “deixar de alongar é como deixar de colocar óleo na corrente da bicicleta: ela endurece e a dado momento rebenta”. Uma coisa é certa. O músculo deverá estar aquecido (mas não sobreaquecido!) antes dos alongamentos, para que estes sejam eficazes e seguros. Aguarda cerca de 10 minutos para alongares após a corrida.[/acc_item] [acc_item title="B: Boost"]Trata-se da maior inovação tecnológica do momento no mercado do “running” e tem dado muito que falar. A marca alemã ADIDAS acaba de desenvolver o novo sistema de amortização boost, que rapidamente se deverá estender a outras categorias desportivas. Segundo dizem os aficionados, as chaves do seu êxito consubstanciam-se no “retorno revolucionário de energia, na amortização superior, no melhor ajuste e no rendimento independente da temperatura exterior”. Se já experimentaste, diz-nos o que achas![/acc_item] [acc_item title="C: Caminhar"]Caminhar numa prova não significa parar e muito menos desistir. É uma forma de contornar uma dificuldade pontual, sem gritar "raios e coriscos" ou atirar a toalha ao chão. A dificuldade pode resultar por exemplo do terreno que atravessas, sendo uma prática muito habitual em provas de trilhos de desnível acentuado ou demasiado técnicas. Também permitirá ao corpo recuperar de uma eventual indisposição ou de um esforço continuado e árduo. Terás que aceitar que não és o Carlos Sá. Não receies fazê-lo.[/acc_item] [acc_item title="D: Dor"]Se o corpo falasse seria tudo mais fácil. Como não fala (nem grita), manifesta-se através da dor. Quando sentires dor, terá chegado a altura de parares. Terás naturalmente que aprender a identificar que dores justificam efetivamente uma paragem. Não vale parar com “dor-de-burro”. Nessa situação tens apenas que controlar a respiração e fazê-lo de forma mais pausada e profunda.[/acc_item] [acc_item title="E: Evolução"]Devagar se vai ao longe. Se estás a iniciar-te na corrida, corre de forma faseada. Ninguém está preparado para se iniciar na corrida e fazer uma maratona na semana seguinte. Se queres continuar a correr para o resto da tua vida, vais querer evoluir de forma estruturada e séria. Tens todo o tempo do mundo para chegar a voos mais altos.[/acc_item] [acc_item title="F: Fartleks"]Palavra sueca cuja tradução para inglês é “speed play”. Como para bom entendedor, meia palavra basta, já se vê que se trata de correr a diferentes velocidades. É um tipo de treino muito utilizado para aumentar a resistência e ajudar a desenvolver velocidade. Hoje em dia os termos “séries” ou “treinos intervalados” são usados de forma mais global, constituindo treinos mais disciplinados e objetivos. No fartlek, a intensidade, duração e tipo de terreno são determinados pelo atleta, pressupondo sempre mudanças significativas de velocidade e de inclinação.[/acc_item] [acc_item title="G: Garmin"]Que me perdoem todas as outras marcas, mas sou fã da Garmin e recomendo-a a todos os viciados em serotonina. Estive um ano a correr sem qualquer relógio. Só o adquiri depois de ter decidido que correria uma maratona seguindo um plano rigoroso de treinos. Descobri o admirável mundo novo. Forma fantástica para monitorizarmos a nossa evolução e definirmos novas metas.[/acc_item] [acc_item title="H: Hidratos"]Os hidratos de carbono são a principal fonte de energia para qualquer atleta. Gosto particularmente da referência "combustível topo de gama” para corredores. Permitem manter os níveis de glicemia estáveis, fornecendo glucose aos órgãos vitais. Deverás ingerir uma refeição rica em hidratos de carbono complexos (por exemplo, batata, arroz, massa) 3 a 4 horas antes de correres ou, se isso não for possível, uma merenda (sanduíche ou barra de cereais integrais), entre 60 a 90 minutos antes da tua corrida.[/acc_item] [acc_item title="I: Isotónico"]As bebidas isotónicas ou bebidas desportivas são bebidas constituídas por água, sais minerais e carbohidratos, contendo composição semelhante ao plasma sanguíneo, facilitando a sua absorção. Foram desenvolvidas para repor líquidos e sais minerais perdidos com a transpiração durante um exercício com carga intensa, com a finalidade de prevenir a desidratação e melhorar o desempenho desportivo. Podem e devem ser consumidas em corridas ou treinos de duração superior a uma hora. Mas atenção, nada de abusos! São bebidas ricas em açúcares - os dentes não agradecem - e sódio - podem aumentar a pressão arterial.[/acc_item] [acc_item title="J: Jamor"]Um dos poucos locais em Lisboa (perdoem-me os leitores que não vivem na capital ou perto dela) onde conseguirás disfrutar e conciliar diferentes tipos de treino. Entre o “tartan”, empedrado, terra batida, trilhos, plano e "sobe e desce", terás muito por onde escolher.[/acc_item] [acc_item title="L: Lebre"]Vais querer arranjar uma quando te propuseres fazer algo mais ambicioso na corrida. Alcançar uma distância maior ou melhorar o teu melhor tempo, por exemplo. Conheces a história da lebre e da tartaruga, correto? Então não preciso de dissertar mais sobre o assunto, sua tartaruga![/acc_item] [acc_item title="M: Músculo"]O ser humano possui aproximadamente 639 músculos. A cada músculo estão associados nervos motores. Será fundamental cuidares bem dos teus músculos para garantires um bom desempenho na corrida. Para evitares lesões, deverás seguir os conselhos transmitidos na linha de partida (letra A) e não descurar a hidratação diariamente. Quanto mais água dentro dos músculos, maior será a força dos mesmos e, como tal, a tua performance na corrida.[/acc_item] [acc_item title="N: No pain, no gain"]Chavão inglês, para o qual a língua portuguesa não tem uma tradução acertada. Traduz a superação da mente sobre o corpo. Ir para além das adversidades. Sair da zona de conforto. Querer é poder. Independentemente de tudo, acredita no que te digo. Vais querer ter presente este e outros quotes motivacionais quando pensares que estás a chegar ao teu limite. Tão válido quanto uma barra energética.[/acc_item] [acc_item title="O: Objetivos"]Independentemente do quão longe queiras ir na corrida ou a forma mais ou menos séria com que a queiras encarar, chegará o dia em que definirás objetivos. Uma corrida que queiras concluir com sucesso. Um tempo determinado para cruzares a meta. A função de "lebre" que assumirás para ajudares um amigo a concretizar o seu sonho. Não receies defini-los. "Without a goal, it's difficult to score".[/acc_item] [acc_item title="P: Proteínas"]Por serem nutrientes com papel decisivo na reconstrução muscular e dos ligamentos, as proteínas deverão estar presentes na dieta de qualquer corredor. Os alimentos proteicos são de digestão mais demorada pelo que não devem ser consumidos imediatamente antes da corrida, mas sim com um desfasamento significativo. Procura ingerir fontes de proteína magras, como carnes brancas, peixe, ovos e laticínios.[/acc_item] [acc_item title="Q: Que dificuldade!"]Estamos quase no fim. Deves estar cansado. E eu também. Adicionalmente não me ocorre nada interessante relacionado com corrida que inicie com a letra "Q"! Ideias?! Segue já para o próximo posto de controlo![/acc_item] [acc_item title="R: Run 'o teu nome', Run!"]Palavras que ouvirás por parte dos teus amigos não corredores para te “torrarem o juízo". Se precisas de ser recordado, o Forest [Gump] é a célebre personagem interpretada pelo Tom Hanks, que proferiu umas quantas palavras sábias. “That day, for no particular reason, I decided to go for a little run. So I ran to the end of the road. And when I got there, I thought maybe I'd run to the end of town. And when I got there, I thought maybe I'd just run across Greenbow County. And I figured, since I run this far, maybe I'd just run across the great state of Alabama. (…) When I got to another ocean, I figured, since I'd gone this far, I might as well just turn back, keep right on going”. Não fiques zangado. Só tens motivos para sorrir. Significa que irás longe. E a correr![/acc_item] [acc_item title="S: Serotonina"]A serotonina faz parte de um grupo de neurotransmissores exercendo um forte efeito sobre o cérebro. Níveis normais produzirão sensação de bem-estar e níveis muito baixos podem ser causadores de ansiedade ou depressão. O cérebro produz serotonina como resposta à atividade física, por forma a relaxar o corpo, protege-lo da dor e provocar sensação de prazer e bem-estar. A corrida funciona assim como um potente antidepressivo, sendo que a melhoria do humor por ela proporcionado poderá durar até cerca de quatro horas! Continua a correr![/acc_item] [acc_item title="T: Trilhos"]Com cada vez mais adeptos, este tipo de corrida privilegia o contacto com a natureza. Se fores corredor amador, os tempos neste tipo de provas serão seguramente relegados para segundo plano. Quererás disfrutar com tempo de cada cenário que a natureza te oferecer! Para saberes mais, consulta http://associacaotrailrunningportugal.pt.[/acc_item] [acc_item title="U: Ultra-distância"]Qualquer distância acima dos 42.195 metros, distância oficial de uma maratona. Em Portugal existem variadíssimas ultra-provas, sendo menos comuns em estrada, mas muito vulgares em montanha, caminhos ou trilhos. São também as distâncias típicas de provas realizadas em condições extremas, como sejam a Marathon des Sables ou a Ultramaratona de Gelo Antártica.[/acc_item] [acc_item title="V: Vitória"]Grita esta palavra cada vez que chegares ao fim, cruzares a meta ou cumprires o objetivo que havias definido. Estarás verdadeiramente de parabéns.[/acc_item] [acc_item title="X"]Salta diretamente para o próximo posto de controlo. :-)[/acc_item] [acc_item title="Z: Zzzzzzzz"]A corrida contribui indubitavelmente para um sono de maior qualidade. A comunidade científica refere mesmo que se trata de uma “intervenção não-farmacológica para a melhoria do padrão do sono”. Ao regular a temperatura corporal e os neurotransmissores do nosso cérebro, a atividade física em geral e a corrida em particular, contribuem para um sono mais profundo e reparador. Por outro lado, o sono também ajuda na corrida! A recuperação muscular e celular que ocorre enquanto dormimos é vital para a nossa (boa) performance na corrida.[/acc_item] [/accordion] Acabas de passar a meta. Parabéns por mais uma prova superada! Fontes: Webrun Wikipedia Corposaun Correr por Prazer Runners World      
Qui | 07.03.13

Quando um corredor não pode correr

José Guimarães
  Depois de dois dias full-time a dar formação (tarefa difícil quando se está com uma garganta que parece feita de pergaminho), regresso aos posts para deixar um desabafo que me persegue há alguns dias: não posso correr! Depois do treino na serra de Sintra com o Dean Karnazes, o meu estado de saúde ainda não melhorou. Na verdade também não piorou. Mas a garganta irritada e esta maldita tosse que nunca mais passa não me deixam treinar nem correr em condições. E tendo isto em conta, a segunda e a terceira pessoas responsáveis pela minha condição física nas corridas (a primeira sou eu), o António e a Meire, ontem recomendaram-me repouso até ao próximo fim de semana. Sem correr. Depois do post da Susana, parece que a minha virose deixou foi meio mundo sem correr. Esta manhã, enquanto conversava com a Filipa Brás dos Run4Fun no seu acolhedor café Alecrim (ali ao pé do Rato), à volta de um carioca de limão com mel para ver se acalmava a garganta, chegava à conclusão que uma série de malta das corridas anda doente ou adoentada: o Luís está constipado, o Neiva também, o JC andava com tosse mas pelos vistos já se curou (pelo menos já regressou aos treinos de 30 km na serra)... e como o que eu quero é curar-me e correr como se não houvesse amanhã, vou cerrar os dentes e dar descanso aos ténis e ao corpo. Pelo que me disseram e pelo que também pude ver em alguns artigos na net, todos são prudentes e recomendam que, quando sentimos que alguma coisa que não corre bem com a nossa saúde, não devemos forçar, pois treinar quando não nos sentimos bem pode ser contraproducente.

O que não me deixa correr

Cada vez que me esforço mais e puxo pela respiração, como os brônquios estão inflamados, começo a tossir. Os tecidos inflamados incham e estreitam a passagem de ar. Juntando a isto a produção de muco, a dificuldade em respirar agravam-se, o que me faz tossir. Felizmente não tenho (agora) outros sintomas mais graves, como febre ligeira, fadiga, dores corporais ou dores de cabeça. Pelo que percebi, isto tudo é causado por um vírus que tende a desaparecer depois de alguns dias a chatear o seu anfitrião. Vamos pois esperar.

Quando posso regressar aos treinos?

A resposta é: não sei! Claro que quem sente nisto das corridas um vício, quer regressar aos treinos já amanhã... para não dizer hoje ou "ontem". Mas vou-me portar bem e ser cauteloso. Vou aproveitar para meter os emails e os posts em dia e dedicar-me aos novos desafios profissionais que se aproximam. E vou continuar a beber chá de gengibre com mel (desculpa Meire, mas não consigo mastigar gengibre, blhéc!!!). Portanto, tal como diz o artigo, recomendo a todos os que estejam neste mesmo lindo estado o seguinte: "work on getting better, not on working out". As melhoras...   Fonte: Livestrong
Seg | 04.03.13

Potente virose põe meio mundo a correr

José Guimarães
  Os conteúdos programáticos das licenciaturas em medicina e respetivos manuais, os prontuários terapêuticos e as carreiras médicas vão iniciar brevemente um processo exaustivo de revisão e atualização. Embora a comunidade científica já desconfiasse desta possibilidade, as certezas intensificaram-se nos últimos meses. Foi identificada uma nova patologia: o vício da corrida! Se achas que ainda não foste atacado por este potente vírus, deixo-te algumas dicas que te permitirão identificar se estás no grupo de risco desta terrífica virose e se deves resguardar-te desde já.

Um viciado em corrida…

… sorri quando, não estando a correr, avista um corredor a menos de 10 metros e sonha fazer o mesmo; … ou sorri quando, não estando a correr, pensa avistar um corredor a mais de 500 metros, interrogando-se “porque não sou eu ali?”; ... sai de casa às 6 da manhã para correr, pois é a única hora do dia que tem disponível para o fazer; ... ou sai para a rua às 22 horas para correr, porque não conseguiu alojar o treino em nenhuma outra hora do dia e é impensável deitar-se sem a dose diária de serotonina; ... vive em estado de ansiedade até que chegue domingo, dia típico para realização de provas de competição, sabendo de antemão que nunca subirá ao pódio e muito dificilmente alcançará os primeiros 1.000 lugares da classificação geral; … imagina-se nas areias da Marathon des Sables ou nos percursos montanhosos do Ultra Trail du Mont Blanc, quando sentado no banco do carro, parado no trânsito caótico ou simplesmente aguardando que o semáforo fique verde; … proclama “time is running”! ... descobre, onde quer que vá, um lugar fantástico para correr; … usa siglas indecifráveis para o comum dos mortais quando fala dos seus feitos, conferindo assim um cariz mais profissional - PBT (personal best time), RP (recorde pessoal), PB (personal best), PR (personal record), MMP (melhor marca pessoal), entre outros; … ouve um novo hit na rádio e de imediato pensa que se trata do “beat” ideal para a série de 400 metros num minuto; … sempre que vê alguém correr mais depressa, assume de imediato que não correrá uma distância tão longa quanto ele próprio (e sente vontade de o dizer em alta voz); … inicia qualquer conversa com um desconhecido com um desbloqueador de conversa do tipo “crise financeira”, rapidamente substituído pelo tema “corrida” e a forma como esta lhe salvou a vida; … anuncia no Facebook que vai correr; … anuncia no Facebook que já foi correr; … anuncia no Facebook a distância que correu, a velocidade a que o fez e quantas calorias queimou (há quem converta as calorias em embalagens de Haagen Dazs); … partilha no Facebook dezenas de parágrafos relatando a última corrida de 8,5 km, não esquecendo nenhum detalhe: frio ou calor, vento ou ameno, à beira rio, perto de casa ou na Serra de Sintra, a dor no tensor da fáscia lata, a contratura na nádega esquerda ou as caimbras no dedo mindinho do pé direito; … partilha no Facebook a foto dos últimos ténis que acabou de comprar, esperando de volta 1.456 comentários dos amigos a felicitarem-no pela criteriosa seleção (e fica zangado se disserem que foi má opção); … aprende a conviver com tendinopatias do tendão de Aquiles, luxações e entorses nos tornozelos, fascites plantares e outras maleitas que requerem paragem obrigatória, continuando a correr como se não houvesse amanhã, exclamando “no pain, no gain”!

Chegou o momento do auto-diagnóstico…

Se não te identificas com nenhuma destas situações, estás safo. Podes voltar para o sofá e ver o AXN. Se porventura já viveste alguma destas situações, tem cuidado. Vais no bom caminho! Se poderias ser tu em mais de metade das situações, informo, rejubilando: estás viciado! Para ti, que és viciado na corrida, proponho a integração imediata nos Corredores Maníacos Anónimos. Não temos muitas cadeirinhas disponíveis mas aconchegamo-nos mais um pouquinho. De toda a forma não ficamos muito tempo sentados. A terapia é mesmo… Correr! Bem-vindo! running-equation  
Sab | 02.03.13

Quando nem tudo corre bem

José Guimarães
Normalmente é sempre uma alegria. A malta corre, salta, vai às provas e aos encontros, treina que se farta! E no final sentimo-nos bem! Ou não. Esta semana passei das piores semanas de treinos dos últimos tempos. A razão? Entre dores e tosses insistentes, alguma coisa correu mal e não me deixou completar a semana como previsto. Estive a tentar perceber o que fiz de errado e até tenho algumas pistas...

Sintoma #1: tosse e rouquidão

Afinal de contas, o que é que não me correu bem esta semana? Foram essencialmente duas coisas: primeiro um ataque de tosse e rouquidão, que me tem afetado logo deste o início da semana. Talvez esteja ligado ao frio e vento forte que estiveram na serra de Sintra na semana passada. Este clima bem servido, acompanhado de uma boa dose de conversa ainda transpirados, enquanto uns e outros nos íamos despedindo... provavelmente deu no que deu. Certo é que esta semana parecia que andava toda a gente doente, com tosses e afins. Como se não bastasse, em vez de melhorar, a meio da semana o corpo reagiu com febre. Embora pouca, foi o suficiente para reduzir o treino de 4ª feira e não treinar na 5ª feira. E desde então, acompanha-me no dia-a-dia uma tosse seca, irritante e consistente... que não é mais do que isto, mas é o suficiente para não me deixar respirar em condições e (pois!) não correr muito tempo. Na 6ª feira (dia de descanso) não consegui ficar em casa e fui correr para o ginásio, depois de me aconselhar com o António e a Meire, fiz 10 km bem lentos na passadeira.

Sintoma #2: dor na perna

Depois, quer-me cá parecer que me andei a portar mal nos treinos. Desde meio da semana que estou com uma dor "mole" na perna esquerda. Digo "mole" porque não é uma dor aguda (e não encontro melhor adjetivo do que este) e parece aquela dor que nos dá nas canelas, mas interna. Mais do que a dor propriamente dita (que nem é muita), parece que essa zona da perna fica sem forças. E só o sinto quando meto o pé no chão (já estou a ouvir as bocas: "CORRE COM OS PÉS NO AR, ORA ESSA!!!"). Esta semana aumentaria a quilometragem nos treinos: fiz um total de 95 km na semana passada e esta semana teria de acumular 104 km. Para brincar, experimentei o treino longo de domingo com os meus ténis de baixo perfil, talvez devido ao entusiasmo com que se abordou o tema dos "barefoot" no fim de semana com o Dean Karnazes. Satisfeito com a experiência de domingo, voltei a repeti-la de sorriso no rosto na 2ª feira. E na 3ª começaram os problemas: as dores na canela.

Agora, o que fazer?

Quem me conhece sabe que não me queixo em vão. Hoje tinha 20 km para fazer e queria aproveitar já estar com menos tosse para ir para Monsanto, mas achei por bem ficar-me pelos 10 km. Não deu para mais. E lembrando-me do que eu próprio escrevo por aqui, se não dá, não adianta esforçar. Acreditem que me lembrava desta máxima a cada quilómetro que fazia ou pensava fazer mais. Não sei se tem a ver com os eventuais abusos a que me expus, mas o que é certo é que esta semana é para embrulhar e esquecer. Esquecer não. Aprender para não repetir a asneira. Agora há que tratar da saúde e esperar melhoras, para aí voltar em força aos treinos. Afinal de contas, há objetivos para cumprir.

Pág. 2/2