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De Sedentário a Maratonista

A motivação também se treina!

Qua | 25.09.13

Correr com tempo chuvoso

José Guimarães
Tempo chuvoso não significa que temos que deixar de correr ou treinar numa passadeira. Aliás, a maior parte das corridas não são canceladas por causa da chuva. Se se lembram da minha primeira participação no GTSA - Grande Trail da Serra d'Arga, nessa primeira edição apanhei um temporal de tal maneira grande que, creio eu, foi uma das melhores experiências com mau tempo que tive em trail, neste meu percurso de corredor. Já na minha primeira participação no UTAX, a falta de equipamento adequado quase que fez com que tivesse de interromper a corrida aos 62 km com um princípio de hipotermia. No entanto, há que estar equipados, senão podemos mesmo pôr em risco a nossa saúde e de não gozar tanto a prova como poderíamos, caso tivéssemos o equipamento adequado às más condições climatéricas. Se, por exemplo, estão na lista de inscritos para a Serra d'Arga (a decorrer já no próximo dia 28 Setembro), experimentem algumas destas dicas, por forma a estarem preparados para correr à chuva. Sim, porque de certeza que vai chover.

Se estiver frio, vistam-se com camadas

Se além do tempo chuvoso estiver também frio, convém usarem mais que uma camada de roupa. A camada mais importante é aquela que fica junto ao corpo (a chamada segunda pele). Certifiquem-se que é de um tecido técnico transpirável, que evapore a água e o suor, secando ao máximo a pele. A camada externa deverá ser do tipo corta-vento e, caso seja necessário, impermeável. No entanto, este último deverá permitir a respiração, pois caso contrário, irá provocar condensação no interior, deixando-nos molhados.

Usem um chapéu com uma pala

Um boné com uma pala pode ser o vosso melhor amigo numa corrida em dia de chuva. A pala irá manter a água afastada do rosto, para que sejam capazes de ver, mesmo debaixo de chuva torrencial.

Não usem demasiada roupa

Este é um dos maiores erros que os corredores costumam fazer, quando vão para corridas à chuva. Usar mais capadas de roupa não vos vai manter mais secos. A não ser que corram com um chapéu de chuva, se correrem à chuva vão com certeza ficar molhados. Se vestirem muita roupa, vai acontecer que simplesmente vão ter de andar com mais roupa encharcada. Vistam-se de acordo com a temperatura do ar, tal e qual como se não estivesse a chover.

Dêem nas vistas

Escolham uma camada exterior que seja bem colorida, com cores garridas e preferencialmente que tenha faixas refletoras, uma vez que a chuva normalmente é sinónimo de fraca visibilidade.

Usem um saco do lixo

Se tiverem que esperar à chuva antes da corrida começar, um saco do lixo grande com um buraco para enfiarem a cabeça pode ajudar-vos a manterem-se secos. No início da corrida podem simplesmente tirá-lo e deitá-lo fora.

Usem uns sapatos velhos ao início

Se estiverem a aguardar pelo início à chuva, podem guardar os sapatos de corrida e as meias num saco de plástico. Podem guardar os sapatos velhos no saco da prova (se houver um) e calçar os sapatos de corrida e as meias secas mesmo antes do início, quando forem alinhar para a partida. Desta forma podem - pelo menos - começar a correr com os pés secos.

Previnam as bolhas e assaduras

Se forem participar numa prova longa, espalhem um creme resistente à água como a vaselina nas partes do corpo onde normalmente há assaduras ou formação de bolhas: pés, interior das coxas, axilas, mamilos, etc.

Protejam os equipamentos eletrónicos

Guardem os aparelhos eletrónicos, como as máquinas fotográficas ou telemóveis, num saco estanque, facilmente encontrado em lojas de desporto.

 

Fonte: About.com
Seg | 23.09.13

Prevenir o esgotamento nas (das) corridas

José Guimarães
Vocês que correm, já alguma vez se sentiram como o personagem da foto deste post? O estado psicológico de um corredor pode ter (e tem mesmo) um profundo efeito na resposta fisiológica à prática da corrida. As nossas emoções e pensamentos podem influenciar muito profundamente o nosso estado fisiológico durante os exercícios de treino e as provas. Por isto mesmo é que se torna muito importante que os corredores desenvolvam estratégias mentais que lhes permitam não só diminuir os gastos de energia com a corrida em si, mas também que lhes permitam lidar com a fadiga e o desconforto provocados por esforços extremos. Nestas situações, há que saber usar a ciência para lidar com a fadiga, o desconforto e a fraca motivação para correr.

Prevenindo o esgotamento

A psicologia no desporto já começou a explorar as características de certos antecedentes psicológicos, que permitem que alguns corredores se superem onde outros falham. Esta pesquisa revela que os muitos fatores que ajudam na perseverança de muitos atletas, podem por outro lado aumentar o risco de esgotamento. Estas pesquisas demonstraram que, num estudo levado a cabo entre 141 atletas de alta competição, os perfis motivacionais muito específicos podem levar a grandes sucessos no desporto, mas em último caso aumenta as possibilidades de frustração, performances pobres e mesmo um afastamento do desporto. O desejo de atingir grandes feitos pode eventualmente levar a fracas respostas aos treinos e às competições que resultam em resultados medianos, isto caso os mecanismos psicológicos de base não estiverem bem trabalhados. Cientistas ligados ao desporto definiram este esgotamento como um estado de fadiga mental, emocional e física, produzido no período em que se procura atingir objetivos desafiantes. Este esgotamento pode estar acompanhado por 3 indicadores-chave:
  1. Falta de energia emocional e física
  2. Um reduzido sentimento de concretização e que os objetivos tão desejados estão muito longe de poderem ser atingidos
  3. Desvalorização do desporto que se pratica e diminuição do interesse em praticá-lo num nível superior
Os mecanismos através dos quais o esgotamento aparece nos atletas tem sido muito debatido. Alguns pesquisadores propuseram que os atletas com níveis de motivação inicial altíssimos têm tendência a fazer grandes investimentos no treino. Estes investimentos depois levam a um sucesso competitivo precoce e - consequentemente - a um estado de euforia, que produz um maior empenho no treino. Um fator-chave neste processo para muitos atletas parece ser o facto que o sucesso amplia o sentimento de auto-confiança. Enquanto isto pode parecer uma resposta saudável, pode também levar a uma situação em que a auto estima torna-se gradualmente dependente do sucesso desportivo. Consequentemente, a frustração inevitável que pode ocorrer com os piores resultados produzem ameaças a essa auto estima, que pode levar a uma mudança motivacional, onde aquele desejo de treinar muito e de vencer vai vacilando e é aos poucos substituído por um "desligar" do desporto, funcionando como um sistema de proteção tanto física como emocional.

Objetivos de tarefa vs. Objetivos do Ego

Para prevenir o esgotamento e maximizar a oportunidade de atingir os objetivos, um atleta precisa de estabelecer objetivos e um clima motivacional adequados. As pesquisas identificaram dois tipos de objetivos que estão presentes, tanto em níveis mais ou menos competitivos num contexto desportivo: os objetivos de tarefa e os objetivos do Ego. Quando um objetivo de tarefa é adotado por um atleta, a realização do mesmo é avaliada em termos diretos, ao invés da relação aos outros e como estes - comparativamente - se comportaram. Neste caso, o sucesso e o falhanço são determinados de acordo com o domínio singular sobre determinada atividade, seja a melhoria de um tempo, ou o atingir de uma determinada marca. Por exemplo, quando um corredor diz "quero fazer aquela maratona em menos de 3 horas" está a estabelecer um objetivo por tarefa. De forma semelhante, quando um corredor diz "quero treinar por forma a não ter lesões este ano", também está a estabelecer um objetivo por tarefa. Por outro lado, adotar um objetivo de ego significa que o seu cumprimento só vai ser avaliado de forma comparativa, em vez de uma forma direta. Neste caso, um corredor irá lutar para demonstrar as melhorias na sua performance - ou evitar mostrar alguma quebra nas suas capacidades - em comparação com outros corredores. Por exemplo, um corredor que adote um objetivo de ego pode decidir que "o meu ponto de focagem é terminar à frente do Manel na próxima corrida!" ou aidna "tenho que terminar a corrida nos primeiros 2 lugares", ou ainda "tenho que mostrar a todos que sou o melhor corredor dentro do meu escalão". A adoção de objetivos de ego pode significar também a tentativa de obter a aprovação de alguém significativo para a pessoa, como um treinador ou outro atleta. Um corredor que recebeu um comentário negativo de outra pessoa da comunidade das corridas, também pode decidir tentar vencer uma corrida, para provar à outra pessoa como ela estava errada, por exemplo. As pesquisas científicas demonstraram que os corredores comportam-se melhor quando adotam objetivos por tarefa, do que objetivos de ego. Demonstrou-se que atletas que procuram atingir objetivos de tarefa tendem a procurar novos desafios, a colocar mais esforço nos treinos, maior persistência e interesse, bem como mantêm níveis motivacionais muito fortes, tendências que são contrárias ao esgotamento e consistentes no que toca a um bom desenvolvimento físico. Em contraste, parece que usar objetivos de ego deixa os atletas mais vulneráveis ao esgotamento, talvez em parte devido à impossibilidade de controlar a performance e as opiniões dos outros, o que torna o cumprimento destes objetivos em algo mais incerto. As pesquisas efetuadas sugerem que quando os atletas são dominados por objetivos de ego tendem a sentir que têm que estar constantemente a mostrar as suas capacidades, por forma a ganhar o respeito dos outros, o que faz com que o sentimento de auto estima fique ligado à capacidade de o fazer. Em vez de montarem o seu percurso em direção a, por exemplo, melhorar os seus tempos e sentirem-se bem com isso, os corredores motivados pelo ego precisam de estar constantemente a fazer melhor do que os outros, uma tarefa impossível para todos, exceto para os campeões mundiais nas modalidades em que se compete. Aí, os fracassos vão certamente acontecer, sendo tipicamente vistos como pouca adequação ao desporto que se pratica e posteriormente remediado pela aplicação de mais esforço de treino. No entanto, o stress físico e emocional tem tendência a aumentar à medida que as situações de competição se tornam ameaças potenciais para a auto estima. Teoricamente, o esgotamento pode então acontecer muito mais facilmente, quando comparado com uma situação em que o corredor está somente a tentar atingir uma maior destreza e domínio sobre uma atividade, sem que o seu valor pessoal esteja diretamente ligado a um relógio, à posição relativa numa corrida ou à opinião de outra pessoa.

Clima de desempenho vs. clima de mestria

Adicionalmente às características do objetivo, o clima motivacional também pode ter um grande impacto na possibilidade de se gerar um esgotamento. Foram identificados dois tipos de clima/ambiente pelos psicólogos no desporto: um dentro do contexto do desempenho e da performance, outro num contexto de mestria. Quanto o dia-a-dia de um corredor é caracterizado por um foco muito grande em competições entre vários atletas, comparações e a presença do treinador que "grita" vitória a todo o custo, bem como o reconhecimento do público da sua habilidade, então é dito que prevalece um clima de desempenho. Este tipo de ambiente enfatizam os objetivos de ego, em detrimento dos objetivos de tarefa, talvez por causa do sentimento de "só serei bom se for melhor que tu", que prevalece sobre "serei bom se mantiver uma evolução progressiva dos meus tempos". Um número significativo de psicólogos de desporto acreditam que os climas de performance podem aumentar o risco de esgotamento, quando comparados com os climas de mestria. Como o nome indica, o clima de mestria prevalece na vida de um corredor quando existe ênfase sobre a aprendizagem e mestria da atividade (por exemplo, quando um corredor desenvolve a capacidade de manter o ritmo da passada nas subidas). O esforço é valorizado como um fim em si, mais do que uma forma de criar auto-estima, existindo um reconhecimento pessoal e privado do esforço, mais do que uma comparação pública com outros atletas. A presença deste clima de mestria aumenta as possibilidades de um corredor estar envolvido com objetivos por tarefa, mais do que objetivos de ego, seja em treinos como nas provas em que participa, isto porque os objetivos e práticas dos outros corredores são irrelevantes para aquilo que este atleta quer atingir e dominar numa tarefa específica.

Perfeccionismo

Um último fator motivacional que pode ter um grande impacto no desempenho das corridas é o carácter de perfeccionismo. Alguns estudos sugerem que o perfeccionismo é uma característica chave demonstrada por atletas de alta competição. Isto parece suficientemente razoável, uma vez que o perfeccionismo está muitas vezes ligado à busca intensa de níveis de desempenho altíssimos, uma tarefa que pode levar a resultados elevados. No entanto, um problema-chave reside no facto que o perfeccionismo é inatingível. A corrida perfeita não existe e, de facto, uma corrida perfeita pode ser especialmente inatingível para um corredor perfeccionista, que estará provavelmente predisposto a não olhar só para o seu desempenho, mesmo que este tenha sido notável. Assim sendo, o perfeccionismo pode deixar mesmo um atleta constantemente vulnerável ao fracasso, o que pode levar a um stress emocional enorme e, consequentemente, a uma quebra na sua capacidade atlética. Algumas linhas de investigação sugerem que quando os atletas perfeccionistas não são capazes de viver dentro das suas expercativas de desempenho, a vergonha, raiva e ansiedade podem resultar num elevado risco de esgotamento. Adicionalmente, há provas que os atletas mais perfeccionistas tendem a atribuir a si próprios demasiado para fazer e atingir, tornando-se eventualmente sobrecarregados com todos os objetivos que têm de atingir. Afinal de contas, têm que ser perfeitos!

Pesquisas sobre esgotamento

Uma das conclusões a levar daqui é que as aproximações cognitivas, emocionais e psicológicas à corrida podem ter um impacto profundo no desempenho e no risco de esgotamento. Quando as competições se tornam ameaças à auto confiança, os riscos de stress excessivo e esgotamento aumentam. Quando as corridas são vistas como desafios e oportunidades para melhorias de métricas e mestria das atividades, o risco de esgotamento é reduzido e a possibilidade de um desempenho superior aumenta. Quando os corredores acreditam que as suas ações (como as sessões de treino) os vão levar aos objetivos desejados, como tempos de corrida específicos mas razoáveis, a sua motivação aumenta e têm as melhores hipóteses de competir num nível superior. Pelo contrário, lutar constantemente para atingir a perfeição pode aumentar a possibilidade de um esgotamento debilitante. A conclusão geral é que o perfil motivacional do corredor é muito importante e, em alguns casos, pode interessar mais do que certos padrões de treino que sejam estabelecidos. Perfis motivacionais fracos podem fazer com que um corredor capaz se sinta incapaz e envolvê-lo num manto de letargia que lhe retirará qualidades e possibilidades de atingir objetivos. Um fraco trabalho motivacional pode mesmo fazer com que bons treinos pareçam fracassos. Os corredores parecem trabalhar melhor quando usam um perfil motivacional orientado para objetivos de tarefa, um clima de mestria e um certo afastamento do perfeccionismo. Este perfil é estabelecido com uma visão futura e deixa que os corredores se sintam satisfeitos com todas as pequenas conquistas nos treinos e nas provas. Também dá ao corredor individual uma espécie de "folga", deixando-o ter flexibilidade suficiente para atingir os seus objetivos. Nunca, mas mesmo nunca liga o sentimento de auto estima com um tempo ou posição numa corrida. Estudos e fonte: HumanKinetics.com
Sex | 20.09.13

Hoje vim de bicicleta para o trabalho... outra vez!

José Guimarães
Estamos na Semana Europeia da Mobilidade. E, se já uma vez o tinha feito, hoje vim novamente de bicicleta para o trabalho. Por vezes precisamos de um estímulo extra para fazer aquela tal coisa que nos andava "atravessada" já há algum tempo e desta vez posso agradecer a uma iniciativa dos CTT que, em parceria com o Centro de Treinos da Pro Runner, convidaram os seus colaboradores a se deslocarem de bicicleta para o trabalho. Eu aproveitei a boleia e vim também.

O percurso

Já sabia que, mais coisa menos coisa, teria cerca de 30 km para fazer em cada sentido. Iria iniciar o percurso em Paço de Arcos às 7h30 da manhã e contava estar sensivelmente 1 hora mais tarde no Parque das Nações. Preparado o equipamento de véspera, fiz-me à estrada! Mais ou menos já a maior parte de nós sabe o que é que se usa para andar de bicicleta, certo? Os calções, o jersey, as luvas (não dispenso), a ferramenta para os imprevistos... e se bem que os dias estejam quentes, as manhãs ainda estão bem fresquinhas para uma manga curta. Os "manguitos" foram uma escolha extra e indispensáveis, para usar na marginal, junto ao rio Tejo, onde a +/- 30 km/h, a brisa fresca do nascer do sol ainda dava para uns arrepios. Como é andar na marginal? Antes de mais é um perigo! Bom, se retirarmos o fator trânsito desta equação, andar de bicicleta na marginal é um pouco como andar de moto no autódromo do Estoril. O problema são mesmos os automóveis... ou melhor, os automobilistas. E apesar de, mesmo assim, o balanço final ainda ser algo a pender para o positivo, é impressionante a quantidade de razias e de apitadelas que ainda levo. Será por me recusar a andar encostadinho ao passeio? Penso que andar no meio da minha faixa de rodagem é mais seguro, pois é a única forma dos automobilistas não nos espremerem contra o passeio, numa 3ª faixa de rodagem inventada à pressão, não concordam? Ou será que é por andar devagar? Oh meus amigos, uma média de mais de 30 km/h não é devagar! Para mim pelo menos não será. Bom, apitem lá, que sempre é mais um incentivo para eu puxar um pouco mais! Quanto ao percurso, é bonito, muito bonito. Único talvez, na visão do aproximar da cidade de Lisboa durante o nascer do sol, ainda em intervalos sem trânsito, sem baulho, só o rolar da bicicleta e o ruído do vento. De destacar a subida da Cruz Quebrada feita em modo "não-baixo-a-cadência-nem-que-a-vaca-tussa!!!" e as retas do Dafundo, de Belém e da restante Av. da Índia, a convidar a uma bicicleta de contra-relógio... de destacar pela negativa é o estado muuuito mau do piso à entrada da cidade, depois de se passar a zona de Alcântara. Ele é buracos, tampas de esgotos mal niveladas, remendos e mais remendos, abatimento do piso, etc, etc, etc. Tudo boas armadilhas a convidar a uma queda... e a fazer lembrar a maldita lomba de há 2 semanas atrás... Ainda a destacar pela negativa, aponto a zona da Ribeira das Naus e o tão badalado passeio ribeirinho, que de passeio tem muito pouco. Tudo bem que está em obras, mas a manterem a circulação automóvel junto ao rio e a não priviligiar aquela zona para peões e bicicletas... o que esperam de melhorias os senhores da CML? A ver vamos, lá dizia o cego... Novidade no percurso é a nova ciclovia (ainda em construção) que começa em frente à estação dos comboios de Santa Apolónia e se estende até ao Parque das Nações. Apesar de ser uma ciclovia construída no aproveitamento da antiga faixa do BUS, assim intercalada de X em X metros pelas paragens do autocarro, não lhe quero tirar importância, até porque considero uma boa iniciativa, talvez para ser mais aproveitada pelos caminhantes e ciclistas de lazer, do que aqueles que gostam é de "andar na roda". Não experimentei, até porque é um troço ainda muito sujo com restos das obras, mas mais tarde pode ser que passe por ali outra vez mais devagar e vá testar o piso.

Vale a pena ou não?

Depois de tanta descrição, vale a pena ou não vir de bicicleta para o trabalho? Ora vejamos: Demorei 50 minutos para fazer o troço entre Paço de Arcos e o Parque das Nações. Um pouco mais de tempo do que demoraria para fazer de carro, exceto em dias de confusão, em que já demorei bem mais tempo do que isso. Não gastei uma gota de gasóleo e aproveitei para treinar. Faço quase 60 km que é o que tenho no plano de treinos para cumprir. Tudo bem que tenho que gerir o material e vestuário no meu local de trabalho, além de ter a sorte de ter balneários para começar o dia fresquinho. Cruzei-me ainda com alguns dos participantes na iniciativa dos CTT, dois dos quais iriam ainda para o ginásio, onde podem tomar banho antes de ir trabalhar. Mas sim, com as condições logísticas adequadas, o balanço é muito positivo e estou apostado em repetir a dose com mais frequência. É pena que as condições do piso na cidade de Lisboa não sejam adequadas a estas aventuras, mas tentarei circular com atenção redobrada para evitar algum imprevisto. E assim sendo, perdoem-me a repetição do título deste post face ao anterior, mas o facto é que, a continuar assim e a experimentar relatar várias vezes que venho de bicicleta para o trabalho, há um enorme risco deste título ter sequelas. Posto isto, está na hora: vou preparar a garrafa de isotónico e fazer-me novamente à estrada!
Qui | 19.09.13

3 benefícios do vestuário de compressão

José Guimarães
É um facto: há alturas em que treinamos muito e exigimos demasiado dos nossos músculos, sem depois cuidar deles adequadamente, seja após o esforço de um treino ou prova. Usar vestuário de compressão pode ajudar a diminuir algumas "mazelas", bem como o tempo de recuperação, por forma a que fiquemos prontos rapidamente para o próximo treino ou para aquela próxima prova. Simplificando, são 3 os principais benefícios que podemos ter, simplesmente por usar vestuário de compressão:

1. Aumento do fluxo sanguíneo

O vestuário de compressão indicado para recuperação aplica uma pressão consistente nos nossos músculos, o que permite que as paredes das artérias relaxem. Quando isto acontece, o diâmetro das artérias aumenta, tornando possível um maior fluxo de sangue rico em oxigénio, direitinho aos nossos músculos. Este aumento do fluxo de oxigénio acelera o processo de recuperação e deixa-nos disponíveis mais rapidamente para a próxima sessão de treino.

2. Retorno venoso

As veias usam um sistema de válvulas de sentido único para transportar o sangue de volta ao coração, o qual será re-oxigenado. Quando estamos num estado estacionário durante longos períodos de tempo, o sangue pode começar a acumular-se nos pés e tornozelos. Uma compressão gradual (ou seja, onde é aplicada maior compressão nas extremidades e gradualmente menos compressão mais perto do coração) ajuda a que este sangue regresse mais facilmente ao coração para ser re-oxigenado.

3. Suporte muscular

Quando os músculos estão envolvidos numa atividade como a corrida, vibram à medida que absorvem os impactos. Se minimizarmos estas vibrações conseguimos ajudar os músculos a recuperar mais rapidamente. O vestuário de compressão, como as meias de compressão ou as vulgares caneleiras, ajudam a minimizar a vibração dos músculos, por forma a que a recuperação seja mais rápida e as corridas posteriores sejam feitas com menos dores nos músculos.  
Qua | 18.09.13

Do Tejo ao Sado e de volta ao Tejo

José Guimarães
O sítio para colocar posts no Facebook pergunta "O que é que tens feito?" e eu gostava de responder que tenho feito tanta coisa que começa a ser demasiado frequente a falta de tempo para colocar posts à 2ª feira! Pelo facto, as minhas desculpas a quem está sedento de notícias fresquinhas logo no início da semana de trabalho. Na pior das hipóteses tentarei fazer com que saiam à 3ª feira... apesar de esta semana só ter saído à 4ª feira!..

Primeiro o Tejo

O fim de semana que passou foi mais um fim de semana em modo de corrida que, como o título indica, foi praticamente passado sempre à beira rio. Mas porque nem só de corridas vive o Homem, este foi um fim de semana que também teve direito a festa, a comes e bebes (uns mais saudáveis que outros), mas sempre com uma corridinha aqui e ali, para expurgar as coisas más. O sábado de manhã foi passado à beira do Tejo, no Parque das Nações. A Pro Runner promoveu o 2º Treino para a Corrida da Linha, a tal que começa em Carcavelos e acaba em Cascais. Se bem me lembro, foi uma das primeiras corridas de 10 km que fiz com o grupo da Rita Borralho, os RB Running, há 2 anos. E esta primeira experiência foi um ponto de encontro em frente à meta (sim, em Cascais), para se correr até Carcavelos e, depois, fazer a prova novamente até Cascais. Já aí éramos meio malucos... Chegados os participantes e convidados (e uma bonita surpresa de vida com quem tive o privilégio de "tropeçar" neste dia), feita a foto de grupo e a sessão de aquecimento, optei por levar o habitual grupo da distância maior (10 km) num ritmo tranquilo e adequado a todos: ao grupo que se manteve coeso até aos 5 km, ao fotógrafo que captou bonitos momentos e a algumas presenças que, mesmo não correndo, ainda deram uns passinhos na direção mais saudável! Se a primeira metade do percurso se fez de forma bastante tranquila, entre conversas e risadas descontraídas, já os últimos 5 km foram mais dispersos... e mais rápidos! Sem muitas palavras, ou tantas quantas aquelas que conseguia articular entre um PUF!!! PUFF!!! e um ARF!!! ARF!!!, deixo os meus parabéns ao atleta do Mirantense (desculpem-me mas não sei o nome dele) que com apenas 15 aninhos me fez saltar os pulmões de 39 anos pela boca, até chegarmos à porta da loja! Amigo António Monteiro, grande pedalada e futuro têm estes seus atletas! Fica o registo de uma bonita e saudável manhã de sábado, à qual se seguirá outra bem mais tranquila, no dia antes da Corrida da Linha, num evento em que acho que vou gostar muito de participar: Yoga para Corredores. Fica a dica...

Depois o Sado

Depois do Tejo, a atividade do dia voltou-se para a margem sul. Depois de uma tarde tranquila e de descanso, parece que a noite chegou tão rápida, que não me deixou fazer bem a digestão do lanche "almoçarado" dessa tarde... ok, final de tarde. O destino do final do dia seria Vale dos Barris, perto de Palmela, para a prova Trail Noturno das Lebres do Sado, uma prova de 15 km que já se previa algo rapidinha. Não há muito para relatar sobre esta prova. O tempo ajudou à fácil progressão, a paisagem era bonita (não fosse a noite não deixar ver o Sado, mas nos brindar com as luzes de Setúbal lá mais em baixo) e os ritmos... bom, vamos falar dos ritmos: o Luís e a Cristina foram presença sempre constante do início ao fim. E muito ajuda ter umas lebres assim para puxar por nós! O terreno da prova foi sempre muito rolante e deu para correr com o passo bem rápido e constante, tirando umas subidas que apareciam lá pelo meio e uma outra, particularmente muito íngreme, "feita" para nos deixar com as pernas a ferver e com os pulmões de fora, já nos quilómetros finais do percurso. Gostava ainda de salientar dois pontos que creio merecerem destaque nesta prova. Não por serem positivos, mas por serem algo que todos deveríamos ter em atenção. O primeiro tem a ver com a alimentação. Ainda hoje estive na conversa com uma outra pessoa sobre este tema, por causa das coisas que podemos facilmente evitar "levar" para uma corrida, como por exemplo, um grande ataque de "dor de burro" e de azia. Isto porque passei praticamente a prova toda a lutar com uma dor de burro teimosa, que teimava em aparecer e a desaparecer, intercalada com uma azia que - também ela - ora subia, ora descia na garganta. Vendo bem o meu histórico de nunca ter tido grandes problemas com estas questões noutras provas, revi tudo o que fiz nesse dia antes de ir para a prova e encontrei o potencial culpado: uma deliciosa salada que comi, repeti e tornei a repetir à hora do almoço, que tinha um ingrediente "perigoso" para estas coisas: o pepino, que se pode revelar inimigo de uma digestão saudável. Se juntarem a isto o facto que o almoço deve ter terminado pelas 17 horas, ao qual se seguiu uma sestinha milagrosa, estava então montado o cenário para uma corrida, facilmente vítima de efeitos secundários muito pouco amigos de uma performance tranquila. Portanto há que não nos deixarmos levar por grandes tentações no plano alimentar, ou se o fizermos, pelo menos dar tempo ao corpo de processar tudo devidamente, antes do exercício físico. Um outro ponto que não queria deixar de salientar, prende-se com o fator segurança. Independentemente das marcações nesta prova não terem sido as melhores (facto devidamente explicado pela organização), fui espectador de duas valentes quedas, protagonizadas por dois atletas. Sendo que um deles prontamente se levantou e continuou a correr, já outro apresentava ferimentos com alguma gravidade nos membros e na cabeça! Ora, acidentes acontecem sempre (eu que o diga) e por isso mesmo é que têm esse nome. Mas temos que nos lembrar que, tirando algumas excepções, a maior parte de nós anda nisto por puro lazer e divertimento e pouco mais temos a ganhar com isto do que a gratificação pessoal. Não nego que dá um gozo bestial fazer bons tempos e chegar numa boa posição, mas por vezes corremos riscos desnecessários, que podem mesmo acarretar riscos para a nossa própria saúde. Esta prova tinha algum potencial para isso, como uma ou outra descida rápidas e um ou outro perigos escondidos, isto esquecendo o facto de se praticar de noite e a visibilidade reduzida aumentar o potencial de risco. Mas noutras provas mais tranquilas, como uma meia maratona, já tive oportunidade de ver atletas do meio da tabela (não estou a falar portanto daqueles que disputam boas classificações ao segundo) a não se hidratarem corretamente num posto de abastecimento, ou a deixarem cair um gel ou uma barra energética e de não voltarem atrás para o apanhar, com risco de perder aqueles "preciosos" segundos na classificação. Ora meus amigos, sábio é o povo quando diz que "a saúde está primeiro"... portanto deixem de lado esses segundos e pensem primeiro em vocês, seja no momento de parar num posto de abastecimento, seja no momento de refrear os ânimos naquela descida mais escura, em que o frontal até nem está a iluminar assim tão bem os obstáculos no meio do caminho. A título de exemplo, no final da prova a picagem do código de barras do meu dorsal demorou 2 minutos para entrar no sistema, ficando eu com o tempo de 1h18 e não 1h16, como deveria ter sido. Afetou a minha classificação? Não! Afetou a minha performance ou futuro enquanto participante nesta e noutras provas? Não! Então que mal tem isso? Corram e usufruam da corrida, que isso é de facto o mais importante!

De volta ao Tejo

E no domingo de manhã, foi dia de regressar ao rio Tejo, para participar numa prova que nunca havia participado antes e que confesso que me despertava alguma curiosidade: a Corrida do Tejo. Confesso que desde que que comecei a fazer trail running, parece que desenvolvi uma espécie de preconceito contra as corridas de 10 km na estrada. Tirando os triatlos, tenho fugido um bocado da participação nestas provas mais curtas. No entanto, ter participado nesta corrida fez alterar um pouco esta minha forma de estar, já que o cenário de milhares de pessoas a praticar uma atividade tão saudável como a corrida, só pode estar recheado de coisas boas! Prevendo uma multidão de pessoas e optando por uma corrida de recuperação dos quilómetros do dia anterior, optei por convidar o Gino a fazer a corrida comigo em modo descontraído. Como disse, nunca tinha participado nesta prova e já sentia a falta de um autêntico banho de multidão: 10.500 pessoas a correr à beira do Tejo é de facto um cenário digno de muitas fotos e de uma manhã muito bem passada! É engraçado e não pude deixar de reparar como no meio de 10.500 pessoas, ainda encontrei tanta gente conhecida que, aqui e ali, antes e depois da partida, nos brindavam com abraços e sorrisos, próprios de quem corre. E quem corre sabe bem do que eu estou a falar, certo? E tal como sentia a falta de um banho de multidão, também sentia a falta de fazer uns quilómetros a um ritmo sereno e numa agradável companhia. Assim, lá fomos dois amigos na conversa, percorrer os 10 kms que separam Algés da praia da Torre, uma atividade de louvar que demorou cerca de 1 hora a concluir. Chegados à praia da Torre e depois de mais dois dedos de conversa com mais gente conhecida que agradavelmente se teima em encontrar, havia que retomar caminho de volta a Algés, pois o carro com a água e os batidos de proteína esperavam por nós junto à Feira do Corredor. E assim se fizeram mais 10 kms agradáveis, com menos gente na estrada, é certo, mas aproveitando o facto do trânsito ainda não ter sido aberto e se poder usufruir de uma belíssima pista de asfalto para correr junto ao Tejo, num silêncio e cenário perfeitos. Grande obrigado a ti, meu amigo, pela companhia perfeita... e que a nossa saúde daqui a muitos anos também esteja perfeita, para nos permitir repetir muitas manhãs assim, seja junto ao Sado, ao Tejo, onde for. Também aqui quero deixar uma nota de atenção, destinada a todos aqueles que se iniciaram ou se querem iniciar nas corridas: infelizmente assisti a um caso grave de um atleta que, já à chegada à praia da Torre, estava inanimado no chão, a ser assistido por uma equipa médica, com direito a reanimação cardiopulmonar. O meu conselho para vocês todos é que não pratiquem nenhuma atividade física sem um aconselhamento médico, um exame adequado, por muito bem que se sintam. Por vezes um eletrocardiograma pode detectar uma falha que nos passa despercebida, pelo que é do interesse de todos ter uma indicação especializada de quem entende da nossa saúde. Não facilitem. Evitem casos como este. Porque praticar desporto é suposto ser saudável, não é para acabar assim.   Crédito foto: João Ferrão
Qua | 11.09.13

10 Conselhos para pessoas que se queiram iniciar no trail, por Carlos Sá

José Guimarães
São algumas as pessoas que me enviam mensagens a perguntar por dicas para se iniciarem na corrida. Nos últimos tempos essa tendência tem crescido para aqueles que se querem iniciar no trail running. Nem de propósito, hoje vi um artigo no site Correr o Mundo acabadinho de publicar, com 10 dicas para pessoas que se queiram iniciar nos trails. Dadas por quem? Nada mais nada menos que o próprio Carlos Sá. São dicas simples (nada muito técnico), de fácil interiorização e que servem de base para posteriormente poderem acumular outras tantas aprendizagens que certamente vos farão sentido. Portanto leiam-nas, calcem os vossos sapatos de corrida (adequados aos trilhos) e façam um favor: respirem o trail running! Vão ver como vale a pena!  
Seg | 09.09.13

3 notas mentais para recuperar eficazmente de uma lesão

José Guimarães
Ninguém gosta de pensar no assunto, mas as lesões (e outras mazelas) fazem parte do risco de se praticar desporto. Se há 2 semanas a minha irmã se viu a braços com uma valente queda de bicicleta, na semana passada foi a minha vez de ir provar o alcatrão e de passar a última semana parado. Se já se magoaram à séria alguma vez, conhecerão com certeza as diferentes etapas que se têm de ultrapassar no processo de recuperação, desde o momento em que nos magoamos, até estarmos capazes de voltar à ação. Trabalhar todo este processo pode parecer muitas vezes uma autêntica montanha-russa emocional, em que cada fase do processo é acompanhada por medos, frustrações e desafios muito próprios.

Uma lesão... e agora?

Grandes níveis de stress têm um impacto tanto físico como psicológico e pode mesmo interferir com o processo de cura. Ter antes de mais uma atitude positiva é imperativo para uma recuperação bem sucedida. Preparem-se antecipadamente para alguns retrocessos no processo de recuperação e, desta forma, saberem de antemão como querem reagir em determinada situação, mantendo-se positivos e confiantes. Experimentem o seguinte:

Relaxar e manter uma atitude positiva

A nossa resposta emocional à lesão tem influência direta na taxa de recuperação. Podemos escolher focar no que estamos a perder ou, pelo contrário, escolher olhar o futuro, para aquilo que queremos atingir. Procurem o equilíbrio neste período stressante, fazendo outras coisas que também gosta de fazer. Adicionalmente, muitos atletas aproveitam este tempo para trabalhar outras partes da sua forma física e regressar mais fortes do que estavam antes da lesão. Focarmo-nos no que podemos fazer, contra o que não podemos fazer, ajuda a recuperar algum controle sobre a situação e conviver melhor com a lesão.

De volta aos treinos

O início do regresso à vida desportiva é por norma o mais difícil, tanto fisicamente como mentalmente. É este o momento da verdade, em que vão pegar no vosso corpo re-estabelecido e levá-lo para uma corrida de teste. Questões diferentes poderão vir ao de cima neste início do regresso ao desporto. Podem-se não sentir totalmente confiantes na área do corpo afetada. Podem-se estar a sentir muito bem e querer elevar a fasquia só um bocadinho mais. Normalmente os atletas querem voltar aos treinos antes de estarem totalmente recuperados, só mesmo porque já se sentem bem e sentem-se a ficar atrasados face ao plano de treinos ou a alguma prova. Experimentem neste caso o seguinte:

Ajustar os objetivos

A primeira parte no ajuste dos objetivos é aceitar a fase em que estão. Se estiveram magoados por algum motivo, aquilo que eram capazes de fazer antes de se magoarem não vai ser provavelmente a opção mais realista no momento. É fácil sentir a auto-confiança entrar em espiral decrescente quando estamos focados numa fase diferente daquela em que na realidade estamos. Uma coisa importante para fazer então é comemorar cada etapa como única, desde o aumento dos pesos no treino, ou a primeira vez em que conseguiram correr novamente 30 minutos seguidos, ou ainda o primeiro treino completo. O reconhecimento do progresso ajuda a construir a auto-confiança. Ajustar os objetivos ajudará a focar nas coisas possíveis de se controlar. Todas as semanas deverão traçar novos objetivos, registar os progressos, avaliar e só então traçar mais objetivos para a semana seguinte.

De volta à competição

O medo de uma nova lesão é um problema muito comum quando se regressa à competição. Quanto ativamos a resposta ao stress conseguimos chegar ao ponto de experimentar alterações até ao nível fisiológico que, o mais provável, é fazer com que nos magoemos novamente. Os músculos vão estar mais tensos o que vai diminuir a flexibilidade, coordenação e fazer com que nos cansemos mais depressa. Alterações adicionais incluem ainda perda de visão periférica, tempos de resposta mais lentos e aumento do fator distração. Experimentem fazer o seguinte:

Aumentar a confiança de forma proativa

Durante a fase de lesão, os níveis de confiança são capazes de atrofiar ainda mais que os músculos e, por vezes, o nosso corpo está capaz de voltar à ação mais cedo até que o nosso cérebro. Enquanto estiverem a trabalhar os músculos para regressar aos treinos, experimentem também trabalhar a auto-confiança, criando - por exemplo - uma lista de afirmações positivas. Antes de irem treinar ou sempre que se sentirem a decair, olhem para a lista e leiam as frases ou, mais ainda, acrescentem algumas. Eis uns bons exemplos:
  • O meu corpo está a melhorar todos os dias.
  • Estou relaxado e confiante.
  • O meu corpo está a preparar-se para isto.
  • Aos poucos estou a regressar ao meu desporto.
  Estar magoado pode ser psicologicamente devastador. Por vezes é mesmo necessário um esforço deliberado e consciente para reconstruir a auto-confiança e lidar com o rol de emoções que se desenrolam no processo de lesão, bem como nos medos de nos voltarmos a lesionar. Lembrem-se de se manterem positivos, focados no que está ao vosso alcance e, desta forma, ficam preparados para regressar ainda mais fortes do que estavam antes.   Fontes: Applied Sports Psychology Sports Psychology Injured Athletes
Sab | 07.09.13

Hoje e as primeiras vezes...

José Guimarães
Perto de algumas pessoas, a minha "carreira" de corrida é um grão de areia no meio da distância que vai da praia de Melides à de Tróia (não resisti a fazer esta piada).Corro há cerca de 2 anos e meio e faz em Outubro 2 anos que corri a minha primeira maratona. Mas ainda hoje, tal como em muitos momentos-chave da minha vida, recordo o momento em que corri 10 km pela primeira vez. Lembro-me onde estava, com quem estava e o flash daquele instante ficou para sempre gravado na minha memória. Foi uma emoção tão forte e importante que recordo esses primeiros 10 km talvez com mais emoção do que a primeira maratona ou as primeiras 100 milhas. Até ao presente, os zigues e zagues da minha vida fizeram com que me relacionasse de perto com muita gente neste mundo das corridas. Muita gente, muitas situações diferentes, causas e consequências. Já acompanhei de perto os primeiros 5 kms de alguém, os primeiros 30 km, a primeira maratona, o primeiro triatlo, as primeiras braçadas na praia, o primeiro trail, a primeira ultra de trail... e no meio disto tudo aprendi a dar tanto valor a distâncias de 1 dígito, como de 2 ou 3 dígitos. Porque o que importa no meio de tudo isto é a ação propriamente dita. Mais do que querer cronometrar tempos ou acumular quilómetros, o que continua a ser o ponto mais importante é a diferença entre o ficar parado, sentado no sofá, ou sair para a rua e ir, tão simplesmente, fazer uma caminhada, usufruir de paisagens com vistas magníficas, inspirar ar puro ou, como costumo dizer, fazer a fotossíntese. O corpo agradece e a alma, essa, rejubila! Hoje, uma vez mais, estive rodeado por pessoas que correm. Uns que correm muito, outros que correm depressa (e outros muito depressa), outros que nunca correram na vida. Hoje vi alguém a correr 10 km pela primeira vez e também vi alguém a correr pela primeira vez e que, no final, ofegava de cansaço a transbordar em felicidade pura. A ti, que correste os primeiros 10 km, espero que continues assim, devagarinho e a acumular mais 10 km de cada vez. A ti, que hoje experimentaste o que é correr, também espero que continues assim, com calma, seguindo o que o coração te pede e o que o corpo te vai dizendo como certo. A todos os outros, que continuem a fazer com que a corrida seja, até hoje, o meu desporto de eleição. Não só porque correr faz bem. Mas principalmente porque correr faz-me de repente ver-me rodeado de pessoas de bem, que estão ali para um bem comum sem nome, ou com muitos nomes, que se apodera de nós para nunca mais nos deixar. Continuem a gostar disto, assim vale a pena!
Qua | 04.09.13

UTMB® (Ultra-Trail du Mont-Blanc®): um desafio insano

José Guimarães
  O Hélder Oliveira volta à carga! Da última vez foi um Ironman, agora regressou do UTMB - Ultra Trail du Mont Blanc para nos contar como foi. Este é um sonho que, como provavelmente muitos de vós, também eu ambiciono concretizar. Até lá vamos sonhando com relatos assim: "E já está! 30 de Agosto de 2013, o meu percurso pelo Trail atingiu o destino. Como a maioria de vós, apaixonados pela montanha e pelo trail, nasci para a montanha e ao abrir os olhos descobri Mont Blanc e o Ultra Trail du Mont Blanc. Passe o exagero, este é o derradeiro certificado “Ultra” para o atleta corredor em montanha. A prova - com inicio em Chamonix - tem 168km de distância, 9,600m de desnível positivo (metros que os atletas sobem) e 19.200m de desnível acumulado (metros que os atletas sobem e descem, acumulados). Durante o evento os participantes percorrem França, Suíça e Itália. É o desafio de uma vida inteira. Quando o UTMB (Ultra Trail Du Mont Blanc) se apropriou do primeiro lugar da minha lista de desafios extreme, na realidade a minha consciência da dificuldade era pouco mais rigorosa do que o conhecimento resultante de umas quantas páginas informativas, sem correspondência à experiência prática. Mas pernas ao caminho! Se o UTMB era o destino, haveria que pontuar e obter os 7 pontos necessários à qualificação para sorteio... sim, sorteio! Apesar de evento extreme e especialmente atrativo para mentes pouco sãs, a verdade é que somos muitos (!) aqueles que ambicionam juntar ao seu palmarés desportivo, mais ou menos amador, a concretização da prova rainha do trail running mundial. Amealhados os 7 pontos, o sorteio ditaria que na minha primeira candidatura ao UTMB seria aceite! Chamonix é o destino! O desafio! Dia 30 de Agosto apresentei-me na partida para a aventura mais violenta e satisfatória algum dia realizada por mim. Às 16h30 (15h30 portuguesas) desse dia, eu estava arrebatado pela dimensão do evento. Chamonix era o Ultra Trail du Mont Blanc. O peso do evento vergava-nos o ego alimentado pelas experiências somadas até ali. Nada se assemelhava! As montanhas em redor de Chamonix e da partida anunciavam uma prova física e psicologicamente absolutamente assustadora, não havia que enganar, estava diante dos nossos olhos, eram metros infindáveis de paredes verticais aquilo que nos esperava a todos. Dá-se a partida! A prova inicia-se envolta por um ambiente inebriante, nenhuma das adversidades inerentes à aventura tinha espaço nas nossas mentes ocupadas em viver os primeiros minutos do sonho Ultra Trail du Mont Blanc. Eram os primeiros minutos daquela fantástica viagem, havia que os respirar. Afinal, aquele era o destino. Os primeiros quilómetros de prova foram tão complexos como a vossa/nossa corrida de domingo matinal à beira-mar. Simples… Afinal não estava a ser complicado, mas a matemática da prova era clara: os 9.600m de desnível positivo estariam algures à espreita nos 168km de prova. Com 8 km de prova e ainda com a luz do dia experimentamos a primeira dificuldade: subimos cerca de 800m (desnível positivo “D+”), numa distância de aproximadamente 6 km. Atingíramos os 1.776m de altitude e, noite dentro, o programa seria esse mesmo: subir! Em Les Contamines, a prova registava 30km e recebíamos um conselho precioso: “A partir daqui a temperatura irá descer muito, agasalhem-se já e gradualmente. Se permitem que a temperatura baixe podem arriscar problemas digestivos.” Não menosprezamos a recomendação do elemento da organização, pois a sua experiência não parecia saída dos livros. A temperatura desceu efetivamente  de forma significativa ao longo da noite e em paralelo com a nossa progressão e aumento de altitude. Nesta primeira noite atingimos altitudes acima dos 2.000m diversas vezes e o carrossel montanhoso começava a testar os atletas com constantes idas aos 2.500m de altitude, 2.400m e assim por diante. A noite interrompida pelo amanhecer indicaria 3.780m de desnível positivo e visitas repetidas a pontos de altitude elevados. Neste período foram acontecendo os primeiros percalços: atletas vomitavam, indisposições generalizadas, consequências da altitude e do esforço. O Mont Blanc apresentava-se. Pela manhã, a realidade era óbvia para todos os participantes, a odisseia seria dura, a gestão de esforço seria um elemento fulcral para a maioria dos candidatos a finishers neste evento. O grupo de portugueses que orgulhosamente acompanhei durante a prova fez da gestão uma disciplina inflexível e o único caminho para a meta. Todo o controlo das sensações positivas e de um corpo ainda fresco e forte na primeira noite, mantendo ritmos lentos, determinariam o nosso destino. Acompanhados pelo sol, o dia de sábado levar-nos-ia até Itália, onde o cenário era simplesmente impressionante e fabuloso! As montanhas vestidas por um manto branco iluminado pele sol radioso impediam que progredíssemos ritmadamente, era obrigatório parar! A vista era rara, as montanhas erguiam-se até alturas estranhas para um Português que habita aos 50m de altitude e deparava-se agora com monstros de pedra que rompiam os céus, em que nem as nuvens escapavam! Lindo, arrebatador, impressionante! A grandeza do espetáculo sobrepunha-se ao meu propósito, transformei-me num mero ornamento quase invisível num quadro único de beleza natural. Fixei aquelas imagens na esperança de perdurarem eternamente na minha memória. A prova continuaria, as notícias via telemóvel iam chegando, era impossível ficar alheado do que ia sucedendo com os portugueses participantes. Em alguns casos as notícias eram boas e noutros más, todos sabíamos que seria assim. Aos 77km de prova era o momento de fazer o balanço da mesma: estava a 91km da meta e com possibilidade de aceder a um saco previamente entregue por mim à organização. Nesta altura fiz uma refeição, troquei de roupa, renovei a proteção das zonas susceptíveis a fricção com recurso a vaselina e apercebi-me das primeiras lesões na pele, virilhas, nádegas e pés, começavam a degradar-se, nada de grave, mas indicador do que se acentuaria ao longo da prova. A saída deste ponto de abastecimento aos 77km denominado “Courmayeur” marcaria um ponto crítico da prova, iríamos realizar 2.000m de desnível positivo em 22km, seria fisicamente violento mas importante do ponto de vista psicológico, ultrapassado este obstáculo estaríamos na marca dos 100km. Vamos à luta! A comitiva Portuguesa lança-se confiante e determinada para este troço, começamos a subir imediatamente após a nossa saída de Courmayeur, foram os primeiros 816m de D+ em apenas 4,9km. Senti que fisicamente não estava a reagir com a mesma eficácia ao esforço, a subida deixou marcas, a fraqueza tomou posse do meu corpo e compreendi que estava perante o primeiro momento complexo da prova. Deveria passar um pouco da hora de almoço, a temperatura havia subido, eu tinha acabado de fazer uma refeição razoável em Courmayeur e estes 816m de desnível positivo caíram-me mal. Insistir no ritmo poderia ditar o fracasso na prova, abrandei significativamente na esperança do corpo reagir e recuperar do péssimo momento que atravessava. Após cerca de 15m minutos, ainda fragilizado, senti algumas alterações físicas positivas, mantive a disciplina no controlo do ritmo e pacientemente aguardei a consolidação da recuperação. Era um momento crucial. Dali a alguns quilómetros iriamos subir aos 2.500m de altitude. Seria uma provação física e psicológica, precisaria da minha melhor condição física possível. Aos 94km chegava ao ponto de abastecimento que antecedia a subida aos 2.500m e éramos prevenidos pela organização e staff médico de que deveríamos levar para aquele troço de apenas 4,5km, tanta água quanto possível. O aviso alertava também para a inexistência de assistência entre o ponto em que nos encontrávamos e os 2.500m de altitude onde encontraríamos um ponto de controlo. A violência e brutalidade física a que seríamos sujeitos era veementemente avisada pelo médico presente. Motivados pela marca dos 100km ali tão perto, saímos para a luta com este aparentemente intransponível obstáculo. A visão era assustadora: uma fila alongada de atletas desenhava um percurso interminável na vertical, o fim da montanha não era visível, desaparecia em frente dos nossos olhos incrédulos. Foram mais de 3h30 a subir, nada de novo. E até aos 100km de distância a progressão em algumas zonas de desnível acentuado já nos tinham obrigado a subir durante 3h a 4h para percorrer apenas 4 ou 5 quilómetros. Concentrados, procuramos o nosso ritmo e subimos de forma moderada e controlada. Aos 98km sensivelmente estávamos no topo daquele poderoso adversário, não tínhamos sido derrotados. A altitude refletia-se num frio insuportável, o cansaço teve de passar para plano secundário, era necessário abandonar rapidamente aquela zona de prova. Os 14km seguintes seriam dos mais tranquilos que encontramos durante toda a prova. A Suíça era o destino, enquanto Itália ficava para trás. Entravamos na segunda noite de prova, a última vez que tinha dormido havia sido na sexta-feira de manhã, agora, sábado à noite e depois de quase 30h de prova, não sentia sono, era um sinal positivo. Em Praz de Fort, com 116km e com cerca de 6.000m de desnível positivo realizados, a comitiva Portuguesa preparava o assalto final à prova, restavam pouco mais de 50km e cerca de 3.200m de desnível positivo. Nesta altura tornava-se uma evidência de que ultrapassaríamos as 40h de prova mas acima de tudo importava-nos levar até ao fim esta jornada, conscientes das dificuldades que viriam num contexto de muito cansaço. Estes 50km finais foram cruéis para a maioria dos atletas, os pontos de abastecimentos transformavam-se em locais de exposição de sofrimento, cada cara expressava um problema distinto, pés destruídos, privação de sono, problemas gastrointestinais, desgaste físico, frio... Para onde quer que olhássemos encontraríamos atletas em dificuldades. Em contrapartida, a alegria de sentirmo-nos capazes de prosseguir em prova e confiantes de que as forças restantes eram suficientes para alcançar a marca dos 168km, davam-nos a motivação indispensável para abandonar cada ponto de abastecimento com a convicção de que seríamos finishers do Ultra Trail du Mont Blanc. Até ao final da prova haveríamos de ultrapassar os 2.000m de altitude por mais três vezes, haveríamos de subir repetidamente - e em montanhas distintas - desníveis positivos de 600m, 700m e até acima dos 800m D+ em pouco mais de 4km. Foi um final de prova terrível, diria, foi um final de prova que seria um início arrasador de qualquer prova. A manhã de domingo nascia, tinha passado a segunda noite em prova e em total privação de sono, não havia parado 1 minuto que fosse para dormir, na verdade nunca tive sono, o desejo de terminar era suficiente para me manter alerta. A manhã era a de chegada à meta, estava perto, o sofrimento estava a níveis elevadíssimos, os pés tinham-se degradado seriamente, eram agora cobertos por feridas, algumas extensas, as queimaduras em algumas zonas do corpo, resultantes de fricção tornavam cada momento de passo em corrida um martírio. Não consigo descrever o nível de sofrimento. A meta tornou-se uma realidade às 13h de domingo com 44h31m de prova. Orgulhosamente cruzei-a com dois portugueses resilientes e Chamonix era nosso! A população e atletas reconheciam o nosso mérito, os olhares dos presentes ofereciam-nos a compreensão de quem vagamente calculava a nossa dor física. Cruzei a meta com 44h31m, 19.200m de desnível acumulado e 168km depois da partida, privado de sono, alimentado a gel e massa, mas finalmente atingi o objectivo. Deixo aqui neste blog uma palavra de respeito a quem tentou e por alguma razão não conseguiu. O vosso destino está traçado e apenas foi adiado. Aos Portugueses com quem partilhei esta odisseia, um cumprimento especial. Partilhamos dificuldades físicas e psicológicas, trocamos necessidades e prestamos ajuda, unimos esforços e traçamos um caminho comum, fomos bem sucedidos. Ultra Trail du Mont Blanc é um sonho, persigam-no, preparem-se e, quando se julgarem capazes, preparem-se melhor. Depois de fazerem o Ultra Trail du Mont Blanc, o trail é outro."  
Ter | 03.09.13

Vivendo, caindo, correndo e... aprendendo!

José Guimarães
Domingo, dia 1 de Setembro. O objetivo do dia consistia em cumprir o que dizia no plano de treinos (100 km de bicicleta) e juntar-lhe o que não havia feito no dia anterior (20 km de corrida). Numa fase do calendário de autêntico regresso às provas (basta ver a quantidade de provas que existem em cada fim de semana deste mês), escolhi uma corrida de 20 km com características técnicas tranquilas e próprias para correr depressa: os III Trilhos dos Templários, em Santa Cita, Tomar... a cerca de 100 km de Lisboa. Ora, nada como uma boa conversa no Facebook para termos uma "boa ideia" que ajude a cumprir este plano de treinos, em picardia com amigos, auto-proposta por mim e aprovada pelo "coach": fazer a distância de bicicleta logo pela fresquinha, tentando chegar antes das 10 horas para de seguida ir fazer a prova. Nada de mais, já que as distâncias batiam todas certo com o plano e só tinha mesmo que me precaver com os horários para garantir que não chegava tarde à partida. E realmente consegui não chegar tarde, embora em condições diferentes daquelas que esperei inicialmente.

Rapidamente... o percurso de bicicleta

Aqui não há muita história para contar. O título "rapidamente" não é porque o percurso tenha sido feito de forma rápida, mas sim porque na verdade durou muito pouco tempo. Pois... A logística estava toda preparada de véspera: vestuário, capacete, luzes, equipamento de backup, alimentação... Como tal, acordei, comi as minhas papas, pão com doce e manteiga de amendoim, bebi o que sobrou do isotónico, equipei-me (por esta ordem, para a comida ter tempo de não ficar a trabalhar no estômago) e fiz-me à estrada. Meia hora depois estava num cruzamento a lidar com a questão: "é por aqui ou por ali?" e a consultar o road book caseiro feito na noite anterior. Foi então que, ao guardar a folha no bolso de trás do jersey, me escapou à vista uma lomba que "dormia" no meio da estrada. Não vi o sinal de aviso de lomba, porque à boa maneira portuguesa estava tapado por uma árvore. E no contacto com a lomba não fui capaz de evitar a queda, porque só tinha uma mão no guiador... a outra estava a guardar o road book. Conclusão: uma queda, um "drop" partido e um guiador, um braço e uma perna esfolados no alcatrão. Não estraguei mais nada, só mesmo o "drop" (uma pecinha milagrosa que une o desviador traseiro ao quadro e que foi feita para ceder em caso de contacto, evitando assim que se parta ou o desviador ou o quadro) e o orgulho, já que o plano de bike para esse dia e - diga-se - para o resto da semana ficaram comprometidos ali mesmo. Ora se a máxima diz que "depois de se cair, o que resta mesmo é levantar", levantei-me, analisei os estragos feitos ao equipamento e telefonei à minha boleia para me dar uma ajuda... e boleia até Santa Cita, para a próxima etapa do dia.

Em Santa Cita, corre com os Templários!

A chegada a Santa Cita feita sem problemas de maior, tirando as feridas que teimavam em arder... pudera!!! Depois das caras admiradas à chegada e usado o Betadine, estava na hora de nos prepararmos para a partida. Cumprimentam-se os amigos, ri-se um bocadinho (aliviam-se assim outros ardores), ouve-se o briefing para a prova e... aí vamos nós para mais uma!!! O início destes 20 km dos Trilhos dos Templários foi rápido, muito rápido até! O terreno a isso convidava, já que era duro e estava seco, o que fava para correr a um passo relativamente confortável e... já disse rápido? Uma vantagem de se ter um relógio com GPS é poder ver distâncias, velocidades médias, instantâneas... isto quando não nos esquecemos de o ligar à partida. Aconteceu-me só me lembrar que tinha um relógio com GPS já haviam passado quase 2 km desde o início da prova. O que vale é que o Suunto é rápido a ganhar sinal de satélite... pelos vistos mais rápido que o dono a lembrar-se que existem satélites. Assim que ficou disponível, corria-se a ritmos de 4'30/km... 4'15... mas o que é isto? Nestas coisas o que temos a fazer de melhor é dar ouvidos à consciência e refrear um pouco o andamento. Afinal de contas ainda tínhamos quase 20 km pela frente, certo? Nesta altura tentava acompanhar o andamento da Cristina, mas como estava bem mais saudável do que eu, lá tive que me remeter à minha realidade e fazer-me acompanhar de um companheiro que "insistia" em me fazer companhia... e que também não estava muito interessado em seguir a Cristina. É bom quando encontramos alguém com o nosso ritmo, ou um bocadinho mais forte que nós (pelo menos assim pensamos), porque desta forma conseguimos aliar a cabeça às pernas e fazer com que nenhum dos dois estoure antes do final. E assim, até cerca de 5 km do fim o ritmo foi forte, mas dentro do realista para a minha capacidade física. Estranhamente, quando já ia como que conformado e satisfeito com este ritmo até ao final (até dava para ultrapassar uns atletas que se tinham lançado inicialmente mais para a frente da prova), aproxima-se de mim nada mais nada menos que... a Cristina?! "Então??? O que fazes aqui?"... nem foi preciso responder, pois logo percebi que se tinha perdido e que, num ritmo desenfreado tentava a todo o custo recuperar posições! E faltando pouco para o fim, que melhor alento podemos nós ter do que poder acompanhar um atleta em condições como este? Assim fiz... e fiz os kms que faltavam até ao fim, por um lado a despejar tudo o que tinha e não tinha nas pernas, pois outro a tentar perceber se aquilo ainda ia durar muito tempo ou não, porque de certeza que assim eu não duraria! Mas fez-se! E entre subidas e descidas, curvas e contra-curvas apertadas, estradões rápidos e escadarias "de-onde-é-que-isto-saiu?!?!"... cheguei ao final atrás da Cristina (que acabou num merecido 1º lugar feminino), num ofegar misto de satisfeito com "não faço mais uma destas novamente!"... e as feridas, uiiiii!!! Agora era tempo de tomar banho, lavar com Betadine e arejar, enquanto se desfazia um bem abastecido almoço, regado com muito calor e companhia da boa!

E agora, o que fazer com as mazelas?

Agora há que aprender a esperar. Que remédio! Juntei-me em solidariedade às mazelas que a minha irmã sofreu com a sua queda na semana anterior e, por agora, ficarei uns dias parado, ou a correr só devagarinho, para não transpirar e não fazer com que feridas abram mais. Afinal de contas, há provas no horizonte para breve, planos de treino para cumprir... e o Swim Challenge em Cascais, já no dia 14! Vou refrear os impulsos de fazer muito e deixar isso para depois da cura, que se quer certeira e definitiva. Será - pois - um bom timing para pôr a leitura em dia e escrever uns bons artigos no blog! Bons treinos para todos e cuidado com as mazelas...