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De Sedentário a Maratonista

A motivação também se treina!

29.Abr.17

Maratonas, maratonas e mais maratonas...

Já repararam que a palavra maratona é cada vez mais usada por todos? Não que isso me irrite, muito pelo contrário. Eu diria até que é uma forma subliminar de publicidade para o atletismo! Sim, porque a palavra maratona, por mais usada que seja, nunca se vai dissociar do atletismo. E só quem ama a modalidade reconhece estes pequenos prazeres. Mas chega de divagar. Lembrei-me de escrever sobre algo diferente do normal e abordar estas maratonas que todos conhecemos, amamos ou detestamos, mas das quais não podemos fugir. Como diriam os génios do humor: “and now for something completely different”, vamos lá: Maratonas de filmes ou séries - Quem resiste a uma noite de Netflix sentado no sofá com um balde de pipocas? OK... Eu sei que de saudável tem muito pouco e que é tudo o que não se deve aconselhar a um aspirante a correr uma maratona, mas… Se há pecados na vida que vale a pena cometer, este é um deles! Numa tarde de domingo, com a chuva a bater na janela, uma roupa confortável, bem… se ainda não experimentaram uma maratona de filmes, confiem em mim. Vale a pena. Maratonas de compras - Esta é provavelmente a maratona que mais discórdia cria no mundo. Uns adoram, outros detestam. E dizer que tudo depende se nos referimos ao sexo masculino ou feminino deixa de fazer sentido nos dias de hoje. Seja homem ou mulher, podemos encontrar sempre quem ame ou quem odeie. Eu mesmo, não digo que não a uma maratona de compras, principalmente quando as compras envolvem equipamento desportivo. Convenhamos, faz sentido perder duas horas a escolher o calçado perfeito para aquela corrida que demorou meses a preparar, certo? Ainda assim, não há maratona de compras que supere a época natalícia. Aí todos somos maratonistas dignos de medalhas. Principalmente quando se trata de maratonas de compras natalícias no shopping. Não há corrida de obstáculos mais realista que esta. Entre centenas de pessoas, corremos, suamos, desesperamos, mas só paramos quando o objetivo está cumprido. Ou melhor, sejamos sinceros. Como em qualquer maratona, que requer um esforço extra na reta final, também na maratona de compras há a prenda final: aquela que fica sempre esquecida e que nos obriga a correr para não faltar na noite da véspera. Maratonas de games - É neste domínio que a palavra maratona maior uso e diversidade de utilizações tem tido. Já repararam como a palavra tornou-se quase viral em qualquer tipo de desporto? É claro que o ser humano não resiste a um bom teste de resistência, seja ele qual for. E no final, invariavelmente, ficamos todos a pensar o mesmo “Espera lá… Não parece assim tão difícil… Acho que até eu conseguia fazer aquilo!” - (a verdade é que 99% das vezes falharíamos redondamente, mas isso é outra história). Maratonas de estudos - Quem nunca teve uma “boa” maratona de estudos? Aqui, a palavra “boa” merecia muitas aspas é certo! As noitadas de livros e voltas ao cérebro ficam para sempre marcadas na nossa memória. De miúdos, jovens e não só. Até porque, quando menos esperamos voltam a assombrar-nos… Nada que muita determinação e uma boa dose de cafeína não resolvam. A verdade é que o ditado “não se pode viver com eles, nem sem eles” faz todo o sentido quando aplicado aos livros. É um prazer agridoce. Um drama, quando associados às maratonas de estudos, ou uma experiência libertadora, quando associados à leitura espontânea.
15.Abr.17

Porque é que o meu suor cheira mal?

O facto da transpiração de algumas pessoas não ter qualquer mau odor e a de outras cheirar mal que tresanda (normalmente o cheiro assemelha-se a amoníaco), intrigou-me, pelo que fui pesquisar e estou aqui a partilhar este artigo que, espero eu, seja esclarecedor. O bom funcionamento do corpo humano baseia-se num equilíbrio entre a ingestão de carbohidratos, proteínas e de gorduras. Se a balança pende mais para o lado de um destes nutrientes, podem surgir sinais de uma nutrição mais desequilibrada e o cheio a amoníaco na transpiração é um deles. No entanto, se praticar exercício físico vos deixa a cheirar a algo situado entre um químico de limpezas industriais e urina de gato, relaxem, porque existe uma solução fácil. Os carbohidratos são o combustível número um do corpo humano e, de uma forma simplificada, as gorduras funcionam um pouco como o seu "backup". As proteínas também são muito importante no bom funcionamento do corpo e podem também fornecer energia, embora estejam mais vocacionadas para outras funções. Uma dieta rica em proteínas e pobre em carbohidratos pode originar o tal cheiro de amoníaco no suor. E porquê? Quando alguém com este tipo de dieta faz exercício físico, o seu corpo vê-se forçado a transformar proteína em energia. Para tal, os aminoácidos são transformados em vários componentes, parte dos quais é convertido em glucose. Os outros elementos resultantes deste processo são resíduos e, se o corpo não tem capacidade para os gerir na totalidade, estes são expelidos através da pele. O amoníaco é uma das formas que estes resíduos podem tomar. Tipicamente, o amoníaco (que é mau em grandes quantidades) seria convertido em ureia e expelido de forma segura através da urina. Se por acaso existir demasiado amoníaco, o corpo recorre ao seu velho modo de se desintoxicar: o suor. E é assim que a transpiração sai a cheirar mal. No entanto, se isto não acontecesse, um excesso de amoníaco no corpo poderia afetar as funções neurológicas e causar fadiga muscular. Diminuir a ingestão de proteínas e aumentar a ingestão de carbohidratos pode ser uma solução. Mas se isto não ajudar totalmente, experimentem beber mais água. Além da água ajudar a diluir o amoníaco, também torna mais fácil a sua excreção.   Se o vosso objetivo for correr uma maratona, ou fazer alguma outra atividade física exaustiva, pode ser difícil evitar o tal cheiro a amoníaco no final da prova, já que a longa duração de uma atividade física pode tornar o corpo particularmente suscetível a estes fenómenos. Mas nada de mais. Afinal de contas, correram uma maratona, certo? O que é o mau cheiro do suor, comparado com esse feito? No entanto, fica uma nota importante: se o odor a amoníaco vier, por exemplo, da boca, ou não estiver diretamente ligado a este fenómeno da transpiração com o exercício, ou ainda for acompanhado de outros sintomas, pode ser sinal de algo mais grave, como perturbações no fígado ou rins, pelo que deverão consultar rapidamente um médico. Fonte: How Stuff Works - Health
10.Abr.17

Setúbal Triathlon: o dia dos homens (e mulheres) de ferro!

Fotografia: Pau Storch Photography Se há coisa que eu não gosto numa prova de meia dúzia de horas é ter pouco mais de meia dúzia de pessoas a apoiar os participantes. Nas provas de trail running, que pratiquei nos últimos anos, correr em locais isolados e em condições muitas vezes impróprias para consumo tem destas consequências. Faz parte dos treinos até. No entanto, numa prova urbana, que tantas limitações traz à rotina diária da população local, torna-se particularmente importante saber aproximá-la do público. Fazer com que este se sinta parte do evento e, também, parte do sucesso de quem nele participa é uma característica que, felizmente, vejo crescer entre nós (mesmo assim o público parece ainda ter medo de gritar e aplaudir) e foi o que vi e experimentei ontem durante o Setúbal Triathlon.

O que é o Setúbal Triathlon?

O Setúbal Triathlon é uma prova de triatlo, a primeira organizada pela HMS Sports, na distância de "half ironman", ou seja, metade da distância de um Ironman. São 1,9km a nadar, 90km de bicicleta e 21km a correr. Já agora, relembrar que o meu objetivo para este ano é concluir o meu primeiro Ironman, prova marcada para 20 de agosto de 2017, em Copenhaga. Ontem, o meu objetivo consistia em fazer a prova integrada no meu plano de treinos, no melhor ritmo possível, mas sem me estragar muito, quer na bicicleta (já que praticamente 1/3 do percurso era a subir e a descer a serra da Arrábida), quer na corrida, onde deveria ser capaz de manter um ritmo médio interessante.

Os nervos

São muitos! Enfrentar algo que não se pratica frequentemente cria uma camada de nervos em qualquer um. A começar por uma semana cheia de trabalho e pouco dormida (bem vindos ao mundo de quem faz desporto e ainda tem que gerir uma vida, hehehe!!!), uma noite a rebolar de um lado para o outro e uma manhã que começou às 5h00 a confirmar material para a prova, saí de casa com o estômago meio embrulhado e a pensar se me teria esquecido de alguma coisa. Não foi o caso. Já agora, convém deixar a dica que, para estes casos em que não conseguem comer o que deviam antes de uma prova, não devem deixar de ingerir carbohidratos. A melhor forma é mesmo líquida, já que não pesa no estômago e é logo absorvida, e há inúmeros produtos (suplementos) no mercado que permitem que vão hidratando qualquer coisa e, em simultâneo, alimentem o corpinho. Já no local da prova, a hora que antecede a partida é normalmente passada a fazer as últimas verificações técnicas na bicicleta, a distribuir o material pelos sacos das diferentes transições e a vestir o equipamento de natação (e a colar os "kalkitos" com o nosso número de dorsal nos braços... obrigado Zé Carlos, ficaram tão bem colados que ainda hoje estão gravados na pele!), antes de nos lançarmos à água, para um primeiro contacto com a frescura matinal e o devido aquecimento.

A nadar

Aqui nada de especial, a não ser a corrente que já se fazia sentir, a maralha habitual que até nem estava muito violenta, a frequência cardíaca a subir... enfim, nada de especial, portanto. Nadar numa prova de triatlo é resultado de muito treino na piscina. O que quer dizer que, quem treina bem na piscina, quando nada com a flutuabilidade de um fato e da água salgada, faz praticamente tudo o que quer na prova. Este primeiro segmento consistia em 2 voltas a um circuito retangular, com a particularidade de, entre a primeira e a segunda volta, os atletas terem que sair da água, contornar uma bóia na praia e voltar a entrar na água. Mais uma vez, um bom ponto de contacto com o muito público presente a assistir na muralha da praia e na areia, para permitir que estes reconheçam o atleta que acompanham e torçam por ele.

A pedalar

Depois da natação, feita a transição com as habituais tonturas (não me livro deste trauma), soube bem começar a pedalar e apanhar o ar fresco da manhã, ainda pouco passava das 8h35. As maiores dificuldades e a grande incógnita para muitos participantes neste Setúbal Triathlon estavam do lado do percurso que percorria a serra da Arrábida, até à zona do Portinho da Arrábida. Duas das muitas subidas faziam-se ao longo de 1.200m uma, e 1.900m outra, o que, a somar ao vento que se fazia sentir na reta para o lado da Mitrena e no Alto da Guerra, podia começar a fazer rebentar as primeiras pernas logo ali. E não esquecer que ainda havia uma meia maratona para fazer depois disto. Assim, o meu ritmo foi feito entre uma gestão cuidadosa daquilo que ingeria (hidratar muito e tentar consumir pelo menos 50gr de carbohidratos por hora) e do que pedalava, resguardando-me um pouco quando o vento soprava contra e aproveitando quando este estava a favor. Nota aqui para o gozo que é pedalar a quase 50km/h, encaixado na posição mais aerodinâmica possível e rezando para não apanhar nenhum buraco na estrada. Se bem que até estes tinham sido devidamente assinalados pela organização, ao longo de todo o percurso. Contrastando entre estes troços rápidos e a lentidão do percurso na serra, gostei de chegar ao fim com uma média de quase 30km/h, ainda com tempo para, numa ou noutra passagem pela cidade, acenar a quem me tentava apanhar num ou noutro vídeo :)

A correr

Outra particularidade interessante nesta prova foi o facto da primeira transição (natação-ciclismo) e da segunda transição (ciclismo-corrida) serem feitas em sítios diferentes, muito ao jeito de um Ironman. A segunda transição era feita na cidade, praticamente ao lado da zona da meta, o que permitia que praticamente toda a gente pudesse assistir, também aqui, ao desempenho dos seus atletas favoritos. Entregue a bicicleta e vestido o equipamento de corrida, a saída para a meia maratona fez-se em ritmo muito acelerado. Acelerado demais, até. Sou apologista de começar uma corrida desta distância de forma mais lenta, para guardar energias para o final. Mas aqui confesso que me excedi e, como consequência, tive uma linha de ritmo médio descendente, mas nem assim com um ritmo médio final mais lento do que tinha programado fazer: setubaltriathlon_corrida_desedentarioamaratonista Mais uma vez, a organização esteve de parabéns, pois graças a ela pude ouvir a Inês a gritar "COME!!!" vezes sem conta e, graças a ela (a Inês), não me esquecia de ingerir 2 saquetas de gel em cada volta de 5km, acompanhadas por um pouco de água ou de isotónico, conforme o estado. Nada faltava nos postos de abastecimento e a distância entre ambos era mais do que suficiente para não ter que levar nada nas mãos. Tinha um gel no cinto porta-dorsais, mas por esta altura estava já tanto calor que optei por não desafiar a sorte e não o consumir àquela temperatura... Sendo assim, foi encontrar o melhor compromisso entre forma e ritmo, não esquecendo a ingestão de combustível, o adequado para chegar à meta, não em estado de falência total (não era esse o meu objetivo), mas num estado em que pudesse considerar que sim, tinha sido um bom treino - lá está - rumo ao meu objetivo principal: o Ironman.

O final

Participar nesta prova tinha um objetivo e, tal como já disse, foi cumprido. Deu para perceber muitas coisas: o que tem funcionado melhor e pior nos treinos, o que ainda tenho que melhorar (por exemplo, técnicas para nutrição na bicicleta, principalmente na bicicleta), etc. Deu para perceber outras coisas também. Menos técnicas, com certeza, mas que também têm a sua quota parte de influência neste caminho. Deu para perceber que os amigos fazem parte do "doping" permitido e que, sem eles, o desafio seria maior. Deu para perceber que receber forças de quem está de fora é importante, e que retribuir também nos dá forças a nós. Nem que seja com um passinho de dança nos cones de retorno da corrida... Deu para perceber que treinar com malta focada e que veste as mesmas cores, nos coloca a todos no mesmo barco e nos dá um rumo mais certeiro. Obrigado Oriental Triatlo! Deu para perceber quem é que percebe (desculpem a redundância) destas coisas de organizar provas. Deu para perceber que, nos desafios, sejam eles de desporto (como é o caso) ou de outra natureza, é importante estarmos com quem mais gostamos de partilhar as nossas vidas. Porque eles também correm de um lado para o outro, também se cansam, também apanham escaldões. Tudo para estar lá para nós e festejar connosco. Obrigado a ti! Finalmente, uma nota especial a todos os que aqui fizeram o seu primeiro "half ironman", em particular a uma pessoa que o acabou com o maior sorriso e boa disposição que já vi nestas provas. Parabéns Zé Carlos, já és metade de ferro!!!
07.Abr.17

Ontem foi o Dia Mundial da Atividade Física... e não só!

Confirma-se! Ontem foi o Dia Mundial da Atividade Física. Mas ontem foi também o dia do meu aniversário. Não posso deixar de achar uma certa piada que ambas as datas sejam celebradas no mesmo dia. Afinal de contas, as voltas que esta coisa da atividade física (ou exercício, desporto, chamem-lhe o que quiserem) veio dar à minha vida, foram todas num bom sentido. No melhor dos sentidos: o de estar mais em forma, quer por fora, quer por dentro, o de me sentir mais realizado, mais capaz, mais "novo". Apesar dos aniversários :) Também é engraçado que neste dia me cheguem ao colo notícias sobre uma (mais uma?) rede de bicicletas partilhadas, esta a ser inaugurada brevemente na zona do Parque das Nações. E ainda que o desporto me traga novos e bons desafios à vida pessoal e profissional. E amigos! Como informação geral, fiquem a saber que este Dia Mundial da Atividade Física visa promover a prática de atividade física junto das pessoas, assim como mostrar os benefícios do exercício físico. Atenção que jogar à bola com os amigos ao fim de semana, ou correr uma vez por outra, só por si não cumpre os requisitos mínimos para poderem dizer que já praticam exercício e não são sedentários. O recomendado é fazer pelo menos 30 minutos de exercício físico por dia, vá lá, 3 vezes por semana. A prática regular de atividade física apresenta inúmeras vantagens, entre elas:
  • Evita o excesso de peso e a obesidade;
  • previne o aparecimento de doenças;
  • reduz a tensão arterial;
  • melhora da auto estima;
  • reduz o stress;
  • contribui para a concentração e para o bem estar físico e psicológico.
Por estes motivos e mais alguns, parece, portanto, que isto da atividade física se está a tornar moda. Ou que já se tornou moda! E ainda bem. Podia ter sido uma moda menos boa, ou menos saudável. Mas neste caso não é. É uma moda que traz muitas coisas boas. É uma moda que faz mais parte de nós, seres humanos, do que pensamos. Adoptem-na nas vossas vidas, pratiquem-na da forma mais adequada, e garanto que, seja em que formato for, da prática regular de atividade física só poderão tirar bons frutos.